Quem sou eu

Minha foto
Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão... Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim e que eu sempre dei o melhor de mim...e que valeu a pena. (Mário Quintana) "Com o tempo você vai percebendo que para ser feliz com outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama ou acha que ama, e que não quer nada com você, definitivamente, não é a pessoa da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você..!" (Mário Quintana). Desde: 18.04.2011. Contato: clovisrenatof@yahoo.com.br (85) 9901.8377

AUZIM


AUZIM FREIRE
O POETA DA EXISTÊNCIA, DO TELÚRICO AMANAIARENSE E DO CEARÁ
"Agradecemos a todos os que voluntária ou involuntariamente colaboraram e colaboram com a construção desta página, principalmente por participarem da vida de Amanaiara, do poeta ou de alguma forma mantenham laços com a terra natal de Auzim Freire. Em especial saudamos as pessoas que têm colocado materiais desimpedidos na internet (fotos, vídeos e histórias), tornados públicos sem restrições, dos quais tivemos a honra de ampliar a divulgação na presente página, sem qualquer interesse econômico, apenas cultural, compartilhando os referidos documentos digitais, intentando manter aceso o espírito, as tradições e o folclore locais, consolidando a força de nossas origens na construção de um Brasil e de um mundo melhor."
Sejam bem vindos!

Clovis Renato Costa Farias (Editor)
Francisco Erasmo Freire (Auzim) 

Lançamento do novo livro em Amanaiara dia 18/03/2015: 


 
O Povo de Amanaiara confirma a obra de Auzim Freire
(Vídeo)

Demais versos do poeta Auzim Freire (outra página):


OBSERVAÇÕES: Todos os direitos autorais sobre os textos de Auzim Freire são reservados ao autor, desde abril de 2011 (Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998). Assim, caso o leitor queira usar algum trecho ou a integralidade para fins não comerciais, basta que cite o título original da obra, com link (vidaarteedireito.blogspot.com), e colocar o nome do autor: Auzim Freire. Para fins comerciais, somente com autorização expressa (buscar clovisrenatof@yahoo.com.br) 



Auzim (Francisco Erasmo Freire - Amanaiara/CE, 19.11.1940)
Lider, poeta, comerciante


O título de poeta


Eu acho até majestoso
esse nome de poeta,
essa posição me afeta
e faz eu ficar nervoso,
acho também perigoso,
mas eu vou ficar calado
e dizer muito obrigado
por receber esse afeto,
mas o meu nome correto
é pensador disfarçado.

Poeta é quem improvisa
sem fazer nenhum balanço,
como o Gerardo Amâncio
que de pensar não precisa,
já tem na boca a divisa,
não pensa, fala direto
e no fim dá tudo certo
esse sim é um  poeta
que fala a palavra reta,
conhece a rima de perto.

(Auzim Freire)


Maria do Socorro Costa Freire(esposa do Poeta)






A vida simples do poeta

Eu nasci e fui criado
arrancando paco-paco,
pescando de landuá,
comendo beiju de caco,
fazendo baião-de- dois
cozinhado com cavaco.

Dormia em rede de meio,
meu lençol era uma lona,
mas vivia satisfeito
com a vida suburbana.
Pra dar uma volta de carro
só se fosse de carona.

Cresci andando descalço
porque não tinha chinela,
com uma calça de saco,
um cinturão sem fivela,
bebendo água num coco,
a nossa vida era aquela.

A nossa luz era a lua
de noite quando nascia,
nossa fartura era o vento,
nossa riqueza era o dia,
nosso perfume era a mata,
era assim que nós vivia.

Me lembra do rio de nado,
dos banhos que nós tomava,
das rumas de melancia,
dos peixes que nós pegava,
das histórias de trancoso
que Mãe Ritinha contava.

Agente sente saudade
daquele espírito de fé,
das novenas que nós ia,
todo mundo andando a pé,
da primeira comunhão
na festa de São José.

Era um povo prevenido,
tinha medo do castigo,
é tanto que essa ciência
ainda trago comigo
e transmito essa mensagem
pra quem vive em meu abrigo.

O casarão que nasci
hoje vive abandonada
mas guarda as reflexões
pro minha mãe ensinada,
mesmo em tempo distante,
serão por mim relembrada.

Seus pequenos ensinamentos
eram de muita ciência,
difícil ter um formado
com aquela competência
quando o assunto levava
pra temor e obediência.

Ela estendia a esteira
que agora não tem mais
e nós oito se sentava,
na mais positiva paz,
ela partia o almoço
pra todos em porções iguais.

As cinco horas da tarde
a cena se repetia,
era o momento da janta,
do jeito que ela podia.
E assim nós encerrava
as atividades do dia.

E as seis horas da tarde,
a hora da mãe divina,
quando a luz do sol sumia,
se acendia a lamparina
e ia aprender a reza
com nossa irmã Erundina.

Depois tudo se deitava
na maior obediência,
só se escutava as palavras,
cada um tomando a bença,
tão bom se ainda existisse
o mesmo tipo de crença.

Ali todos adormecia,
sem escutar um estalo,
algum de nós acordava
com a cantiga do galo,
quando era meia noite,
registrando o intervalo.

Barulhos que aparecia,
de noite fora de hora,
a cantiga da coruja,
caburé ou ciricora
e um cavalo quando rincha
ou um menino quando chora.

No meio da dificuldade
nós vivia satisfeito,
vivendo a custa da roça,
sem ajuda de prefeito,
pras nossas necessidades
sempre aparecia um jeito.

Todos os meses de junho
papai matava uma vaca,
se chamava maltutagem
e nós enchia a barraca
de carne seca salgada,
retalhada com uma faca.

Tinha datas preferida
pra se matar animal,
dia de ano era um bode,
um peru no carnaval,
não era que se brincasse,
era um costume normal.

Mamãe sempre conservava
um chiqueiro de galinha,
no decorrer da semana
se passava com o que tinha,
feijão branco cozinhado
misturado com farinha.

O papai fazia arreios
pra usar em montaria,
tinha muita preferência,
todo mundo o conhecia.
O transporte era animal,
pois carro não existia.

Ele sempre conservava
no bolso certo trocado,
quando ele vinha da feira
trazia carne de gado,
ele era prevenido,
dava conta do recado.

O povo de Reriutaba,
João Taumaturgo e Luis,
Raimundo e Pedro Rodrigues,
o pai do Doutor Assis,
presenteavam o papai
e ele ficava feliz.

No período das moagens
isto era a coisa mais pura,
cada um deles lhe dava
uma carga de rapadura.
Dizia: leva Ribeiro
pra tu fazer a mistura.
(Auzim Freire)

  
Os dois retratos

Olhando esses dois retrato,

quem sabe a história conte,
um hoje mora na praia
outro morava no monte,
aí passou muita água
por debaixo dessa ponte.

(Auzim Freire)


Lar
Fortaleza - a cidade que acolheu o poeta e sua família

Quando cheguei nesse bairro...

Quando cheguei nesse bairro
isso aqui só tinha areia
coberto de casa feia
com as paredes de barro
não tinha trânsito de carro
tinha cavalo dos figueiros
como Vicente Leiteiro
que vendia panelada
coração, leite e buchada
com fussura de carneiro

Os ônibus do Manuelito
João Sorongo no comando
tinha o João da Flor do Bando
padaria do Zelito
tinha a mata de eucalipto
dois campos de futebol
e a gente pescando de anzol
na lagoa do Zé Padre
eu e Rocí, meu compadre
até o sair do sol.

Tinha seu Sales da horta
com os seus canteiros belos
tinha o Café do Castelo
tinha o Zezito das Portas
tem alguém que não importa
rever aquele passado
tenho no peito guardado
aumentando a saudade
com o perfil da cidade
com hoje tudo mudado.

O lanche do Minervino
o clube do Tiradentes
cadê os seus dirigentes?
uma espécie de extermínio
não tão mais contribuindo?
ficou somente a história
mas tudo tem sua hora
vale a pena ser lembrado
pois as coisas do passado
são as que fazem a história

Seu Sitônio, ninguém esquece
ele aqui também tem vez
a cultura do Nirez
o campo do Sobe e Desce
é imagem que merece
um lembrar acentuado
pra quem viveu lado a lado
com aquela convivência
hoje a gente pára e pensa
naquele tempo passado

Aqui tinha telefone
na casa do Zé Muniz
quem se lembra também diz
tudo em clareza de nome
o Dodô matava a fome
daqueles que o procurava
lembro o apoio que ele dava
era muito conhecido
no meio dos favorecido
esse artista também estava

Tinha Zé Paraibano
a bodega do seu Nilo
atendendo a seu estilo
tinha Vicente Trajano,
tinha Becão e Baiano,
a bodega do Zequinha,
João Temóteo também tinha
armazém do Soarim
a bodega do Auzim
com três latas de sardinha

De maneira especial
tinha o cabaré da Santa
aonde a cigarra canta
no meio do matagal
era muito natural
ser num lugar escondido
pra ser desapercebido
e não chamar atenção
pois era coisa do cão
lugar de gente perdido

Tinha aqui seu Abelardo
hoje tem Antônio Prudêncio
lá embaixo o Zé Merêncio
tinha o Dr. Zé Gerardo
galinha com molho pardo
no café do João Fundim
lá na Rua Dom Joaquim
esquina com Papi Junior
assim descreve meu punho
tem também Zé Camocim.

Quem gostou de minha rima
quem achar que falei certo
foi quem conheceu de perto
a mudança desse clima
pois o passado domina
esses mais abnegados
que guardaram com cuidado
e tudo presenciaram
se gostaram ou não gostaram
lhes digo: muito obrigado.

Poesia de autoria do senhor Francisco Erasmo Freire (Auzim), transcrita do Jornal do Parque Araxá.
Transporte nos anos 70 em Fortaleza
                       
Trabalho



Panificadora São Mateus (empreendimento do poeta)

O time do poeta (futebol, uma das paixões do poeta Auzim)


Auzim e Renato

A origem
A visita a casa velha do Rio Juré

Quem achar que é chocante
as frases que me conduz,
Jesus foi morto na cruz,
ressuscitou radiante,
por isso eu acho importante,
serviu pra nosso alicerce,
pois Deus dá a quem merece
a paz e a tranqüilidade,
quando declina a idade,
sempre essas coisa acontece.

Isso aqui já foi meu berço,
isso aqui é meu escudo,
o tempo passa e eu não mudo,
dessa casa não me esqueço,
está só o endereço,
os reboco desbotado,
com defeito no telhado,
ruindo a parte de trás.
são coisas que o tempo faz,
Vive aos trancos e os barrancos,
até os pés de pau-branco
do terreiro não tem mais.

Tão bonito que isso era,
a imburana de cheiro
lá na ponta do terreiro,
deslumbrando a primavera.
Essa casa ainda espera
nós lhe ver com mais cuidado,
não deixar abandonado,
o lugar que nos deu vida,
fez nossa infância querida
naquele tempo passado.

Neste chão desnivelado
aprendi a engatinhar,
gostava de me deitar
onde o chão tava molhado,
ali ficava parado,
pois nós não tinha brinquedo,
se levantava bem cedo,
corria para a cozinha,
comer leite com farinha,
achava aquilo gostoso,
cada qual mais guloso,
isto era, quando tinha.

Mas tudo no mundo passa,
isso ai também passou,
a vida continuou,
nós somos cheios de graça,
a vida é como fumaça,
as vezes sobe e as vezes desce,
mas, pelo que me parece,
fomos muito virtuoso,
Deus nos tenha corajoso,
pra tudo enquanto acontece.

(Auzim Freire)
                      
Mamãe fazia surrão

Mamãe fazia surrão,
papai trabalhava em sela,
mamãe lavava panela
com uma buxa de melão,
depois catava o feijão,
cozinhava sem tempero,
de longe se sentia o cheiro
quando estava cozinhado.
Assim nós fomos criados,
na esperança e na fé
que o divino São José
nos desse melhores dias,
era assim que nós vivia
na beira do Rio Juré.

Papai chegava com o leite,
se sentava no batente,
tomava café bem quente,
sem pão, sem bolo, sem enfeite.
A mamãe tirava o azeite
da mamona pro sabão,
lavava a roupa na mão,
estendia no quintal.
Debaixo de um pé de pau
eu brincava de carrinho,
são as recordações do ninho,
de minha terra natal.

E assim eu fui crescido,
desdotado de grandeza.
Até traços de beleza,
nunca fui favorecido.
Era muito retraído,
porque era muito feio,
mesmo assim ainda arranjei
umas quatro ou cinco namoradas,
sem ter recurso de nada,
com a quinta me casei.

Aí fui morar no mato,
no Casarão da Floresta,
aquilo pra mim foi festa,
morar num lugar exato.
Como sertanejo nato,
broquei logo o meu roçado,
passei dois anos folgado
com arroz, feijão, farinha
e um terreiro de galinha
que não via o outro lado.

Mas o sertanejo, coitado,
nunca vive prevenido,
põe sempre a vida em perigo,
mesmo porque é forçado.
Até mesmo os abastados
correm o risco de perder,
avalie quem faz sem ter
uma reserva abundante,
esses é que ficam distantes
da maneira de viver.

Começou o meu degredo
porque broquei um roçado,
o mesmo não foi queimado,
as chuvas chegaram cedo.
Não queimei antes com medo
do fogo sair para a mata.
A sorte foi muito ingrata,
gastei todo o meu trocado,
fiquei muito aperreado,
sem ter no bolso uma prata.

Aquela felicidade
aos poucos se foi sumindo,
foi caindo, foi caindo
e para o bem da verdade
foram tantas dificuldades.
Abandonei a morada,
com a vida atordoada,
aos trancos e os barrancos,
eu fui pra Rua do Campo,
morar em casa alugada.

Ali fiquei vegetando,
aquilo não era vida,
sem pão, sem paz, sem guarida,
e o tempo se passando.
Todo dia piorando,
sem luz, sem força e sem guia,
vinha noite e vinha dia,
em pobreza absoluta.
Vida pra filho da puta,
aquela que nós vivíamos.

Uma saída medrosa
passou-se na minha mente.
Pensei, pensei novamente,
Com fé firme e poderosa,
na hora mais melindrosa,
deixei mulher e menino,
me tornei um peregrino,
sem, pão, sem paz, sem firmeza,
vim parar em Fortaleza,
esse foi o meu destino.

Sai do trem meditando,
Sem ninguém a minha espera.
Apareceu o Chico Veras,
foi logo me perguntando:
- Quem é que tá te esperando?
- Onde tu vai dormir?
Não vou te deixar aqui
no relento abandonado.
Me trouxe, quase forçado,
para a casa do Rossi.  

O Rossi e a Tereza
me deram toda guarida,
almoço, janta e dormida,
fizeram a minha defesa.
Rossi com a sua gentileza,
pediu pro Teles arranjar
um posto pra trabalhar
dentro do São Pedro Hotel.
Ai eu cheguei no céu,
comecei a me levantar.

Nélson, chefe de cozinha,
um cidadão educado,
me tratou com muito agrado,
sem saber de onde eu vinha,
nem que profissão que eu tinha,
me botou pra ser copeiro,
passou logo a cozinheiro.
O Roci me apadrinhava,
mas Seu Teles era quem dava
o retoque derradeiro.

Mandei buscar a mulher,
os dois meninos pequenos,
fui morar num terreno,
num quartinho de sapê,
mas sempre com muita fé.
Naquele quintal trancado,
casa de frente e de lado,
num bequinho que eu passava.
Nesse tempo eu só contava
com três anos de casado.

Ai fiquei contente,
com a família de lado,
mesmo morando alugado,
toquei o barco pra frente.
Mas tinha constantemente,
saudades de meu torrão,
sempre mantendo a ilusão
que um dia voltaria
pro meio da minha família,
conviver com meus irmãos.

Queria tanto voltar
até que um dia deu certo,
ai foi que vi de perto,
não era mais meu lugar.
Tornei de novo a voltar,
dessa vez definitivo,
precisão foi o motivo,
naqueles anos setenta,
tornei a quebrar as ventas,
com meus planos negativos.

Mas eu já vinha informado
que João Chaves tinha um ponto,
por cento e cinqüenta conto
ele estava estipulado,
mas eu não tinha um trocado
que despachasse um pedinte.
O Seu João disse o seguinte:
nele eu não vou trabalhar,
por isso pode ficar
enquanto as coisas melhoram,
piorar mais não piora,
pois não podem piorar.

Enfim, seu João me vendeu,
sem eu dar nenhum cruzado,
sem ter papel assinado,
nenhum documento meu.
Quando o prazo se venceu,
não tive como pagar.
Seu João não veio me cobrar,
tornou a dizer que eu ficasse,
quando as coisas melhorassem,
eu fosse lhe procurar.

Comecei a trabalhar,
entrei no peito e na raça,
com três litros de cachaça,
dindim de maracujá,
um rosário de cará,
três quilos de farinha,
quatro latas de sardinha,
cem bananas em um cordão,
quatro barras de sabão,
essas eram as coisas que eu tinha.

Outros que me ajudaram
a  Neíte e o Dodó
nunca me deixaram só,
em tudo me confortaram,
toda vida me trataram
de maneira especial.
Devo muito a esse casal,
cada qual mais agradável.
Enfim, a Família Chaves
é difícil ter igual.

Eu não estava colocado,
tinha aluguel pra pagar,
eu tinha que trabalhar,
pra dar conta do recado,
peguei um carro alugado
e fui trabalhar na praça.
Tudo no mundo se passa,
tinha que correr atrás,
não  sendo assim ninguém faz,
precisa muito de raça.

Num domingo bem cedinho,
mesmo sem eu esperar,
apareceu Pedro Sá,
velho amigo de caminho,
me fez com muito carinho
um convite alvissareiro,
lembrou-se do companheiro
naquele clima cruel,
pra mim volta pra hotel,
trabalhar de cozinheiro.

Me deu toda confiança
pra ficar no seu lugar,
ele ia pro Beira Mar,
Deus lhe deu essa lembrança.
Foi um ato de elegância,
que Deus lhe pague no céu,
foi muito amigo e fiel,
me tirou daquela agonia,
eu fui fazer o que sabia
na cozinha de um hotel.

Fui levado pro hotel
pra falar com Seu Habib,
homem de muito equilíbrio,
assinou logo os papéis.
Levantei as mãos pro céu
e disse estou empregado,
por Pedro Sá fui levado,
tomei conta da cozinha
com toda força que tinha
pra dar conta do recado.

Essa dita moradia
depois por mim foi comprada,
ainda não foi comparada
a outro tipo de alegria,
pois viver como eu vivia,
atolado no aluguel.
Essa graça veio do céu,
de outro canto não vinha,
todas as condições que eu tinha,
foram tiradas do hotel.

Tirei o décimo terceiro salário
e o tempo de serviço,
mas pra fazer tudo isso
recorri a meu mandatário,
homem rico, milionário.
Ele me falou assim:
o que depender de mim
fique quieto, não se abale,
vou lhe arranjar um vale,
você me paga no fim.

Seu Habib me tratava
com muita dedicação.
Entre empregado e patrão
sempre certo nós andávamos,
de nada me reclamava.
Fui grosseiro reconheço,
hoje eu sei que não mereço
nem dar um bom dia a ele,
mas foi na pessoa dele
que eu tive o meu começo.

Seu Habib era uma pessoa
muito educada e decente,
sabia tratar a gente.
Dona Suita era boa,
Por isso não é à toa
que eles têm o que tem,
sabiam fazer o bem.
Dona Zuleide e Seu Nada,
que o Reino do Céu se abra
pro Doutor Jamil também.

Sei que cometi um dano,
pois sai do Premier
sem Seu Habib saber,
ele estava viajando.
As vezes fico pensando
porque que agi assim,
ele era tão bom pra mim,
me tinha tanta atenção.
Paguei com ingratidão
tudo que ele fez por mim.

Eu não falei do estado
da casa que eu ocupava,
ali mesmo só morava
quem estava desgarrado.
Goteira pra todo lado,
enfrentei logo um inverno,
era um padecer eterno,
vivia todo molhado,
passar a noite acordado,
também tá no meu caderno.

Repare na coragem minha,
a casa estava caindo,
eu terminei demolindo,
pois era o jeito que tinha.
Comecei pela cozinha
e fiz a parte de trás.
O dinheiro não deu mais,
o momento era estreito,
mas sempre aparece um jeito,
tendo coragem se faz.

Zé Antenor meu cunhado,
nesse tempo era solteiro,
foi quem arranjou o dinheiro
quando o meu tinha acabado.
Eu fiquei muito animado,
fiz o resto que faltava,
me deu um tanto que dava
pra terminar o serviço.
Também, se não fosse isso,
nem sei como é que eu ficava.

Voltando a minha saída do Hotel Premier
sai sem nenhum prazer,
sua ausência foi sentida,
mas são recortes da vida,
de maneira natural,
até que não foi tão mau,
pela profissão que eu tinha,
fui ser chefe de cozinha
na cozinha do Ideal.

Benedito queria que eu fosse pro Ideal,
foi outro amigo legal de minha parceria.
O trabalho que eu fazia sempre foi do seu agrado.
Eu fui logo contratado como chefe de cozinha,
era a profissão que eu tinha,
que me deu bom resultado.

Trabalhei lá mais de um ano
e quando fui dispensado
tinha ganho algum trocado,
não fiquei perambulando,
apareceu logo um plano,
de montar uma padaria,
o local já existia,
comprei só o maquinário,
me tornei micro-empresário,
vivendo como podia.

Agente faz aventura
enquanto pode lutar,
sempre tentar melhorar,
isso é qualquer criatura,
pensar na vida futura.
O problema é alcançar,
tem muito é que trabalhar,
tem que enfrentar tudo de perto.
Graças a Deus que deu certo,
Não tenho o que reclamar.

O povo que me ajudou
são hoje milionários,
são ricos e proprietários
porque são merecedores.
Pra mim também melhorou,
o que tem dá pra passar,
cai aqui, cai acolá,
mas sempre aparece um jeito.
Vivo muito satisfeito,
o resto Deus é quem dá.

Alguém diz: mais tu sofreu.
Eu lhe confesso que não,
passei por provação
dentro dos domínios meus.
Feliz de quem aprendeu,
passando dificuldade,
e quando cai na idade
encontra vida repleta.
O resto é Deus quem completa
com paz e felicidade.

(Auzim Freire)


Ideal Club - anos 70
Orestes, Armênia e Régia
Patos

Orestes e Armênia
Sariema

Luzia Freire (mãe do poeta) mantendo a tradição de contar histórias no aniversário do sogro do poeta

Casa em que nasceu, na beira do Rio Juré (Amanaiara/CE)


Monte Arará

Que terra divina o Monte Arará
queria estar lá
subindo as colinas,
correndo as campinas,
do amanhecer ao anoitecer,
quando o dia se encerra,
olhando pra terra
que me viu nascer.

As noites eram calmas,
a lua era bela,
fechava a janela
com medo de alma.
Vivia sem trauma,
andando a cavalo,
o relógio era um galo,
geladeira era um pote,
comendo capote,
canapum de estalo.

Eu tenho lembrança
das coisas que eu tinha,
pequenas coisinhas
e muita esperança.
“Um dia se alcança!”,
agente dizia,
o que agente queria
eram coisas banais
que ficaram pra trás
no percurso dos dias.

Minha baladeira,
minha primeira cueca,
o som de rabeca,
a foice roceira,
meu pé de roseira,
o meu birimbau,
minhas pernas de pau,
minha best certeira,
era as brincadeiras
do meu arraial.

As frutas da terra
que agente comia,
juá, melancia,
laranja da terra,
trazida do Berra,
mocó, canapum,
raiz de tucum,
era essas comida,
curava ferida
com cuspe em jejum.

As historias de enredo
que a mamãe contava,
agente ficava
morrendo de medo.
Um nego do bredo,
um bicho papão,
pintura do cão
atentando os homem
e um lobisomem
comendo pagão.

Coruja agoreira,
Saci-Pererê
que vinha comer
no pé de aroeira,
e nós em fileira
pegado na mão,
nosso coração
batia assustado,
com muito cuidado
prestando atenção.


Banana madura
tirada do cacho,
pescar no riacho,
comer rapadura,
feijão sem mistura,
cantiga de galo,
andar a cavalo,
pescar na lagoa,
são as coisas boas
daquilo que falo.

Subir cajueiro
fazendo façanha,
catando castanha,
correr no terreiro,
brincar de vaqueiro,
a cavalo numa vara
com um pano na cara,
que mundo de glória,
ficou na história
daquela seara.

Arrancava paco-paco,
salgava nambu,
tirava capuchu
cavando buraco,
guardava num saco.
Na baixa de cana,
enfurnava banana
no pé da caieira
e vendia na feira
no fim da semana.

Cavar de inchada,
fazer pirueta,
pegar borboleta
na beira da estrada.
Comer maxixada,
pegar passarinho,
xingar os vizinho
fazendo cachimba,
toldando as cacimba,
tampando os caminhos.

Essas travessuras
agente fazia,
mamãe nos batia,
 a lei era dura.
Não guardo amargura,
meus pais estavam certo
chamavam pra perto
e nos castigava,
depois abraçava
de braços aberto.

Agente só sabe
o valor que se tem.
quando é pai, também,
a porta se abre.
Ai vê quanto cabe,
um só coração
pode ser dez irmão
o amor é um só
não existe melhor
pra ter distinção.

Pescando piaba,
comendo pipoca,
tocando em taboca,
tirando goiaba,
o dia se acaba,
a noite aparece,
mamãe faz a prece
nós ia dormir,
as coisa dali,
ninguém nunca esquece.

(Auzim Freire)


Rua do Campo - Amanaiara
(última morada dos pais do poeta)

 
Caatinga

Apresentando seus versos ao cunhado Gotardo e a irmã

Flor de salsa

Recitando - o Rio Juré



O Rio Juré

De cima da Serra Grande,
do Sítio Cruz da Mulher,
se desliza um fio d’água
como uma grota qualquer.
Está ali começando
o famoso Rio Juré.

Recebe água da serra,
vem descendo na chapada,
conduzindo aquelas águas
que não são armazenadas,
desemboca no Acaraú
sem serventia de nada.

Eu defendi um açude
do Juré no Oitizeiro,
se os nossos dirigentes
fosse homens mais ordeiro,
tornava o rio perene
tendo água o ano inteiro.

Luz elétrica já existe,
tem rede pra todo lado,
se vê de cima da serra
o sertão iluminado,
mas não tem uma vazante
naquele sertão plantado.

Sertanejo tem vontade
de viver onde nasceu,
tendo condições de vida,
morando no que é seu,
mas essa mentalidade
infelizmente morreu.

Se planta não tem inverno,
se mete a negociar,
os negócios são tão poucos
que não dá para passar.
Procura por todo lado,
o jeito mesmo é migrar.

Se ali tivesse água,
como  tem lá no Sarney,
caboco colhia a fruta,
usava a parte do meio,
dizia se eu fui pobre
sinceramente não sei.

Você pensou na fartura
que dava na cabaceira,
arroz, milho e feijão verde,
nos espaços das mangueira.
Tinha tudo com fartura
pra gente comprar na feira.

As frutas apropriadas,
melão e banana anoa,
naquelas baixas cumpridas
do Sebastião Taboa,
irrigando aquela terra
era coisa muito boa.

Assim a água descia
pra todos trazendo glória,
passava pela cisterna,
os terrenos da Vitória,
esse sonho continua
guardado em minha memória.

Ali na Ponte do Peixe,
tanto pra cima e pra baixo,
terra boa pra coqueiro,
banana soltando cacho,
tanto dum lado e da outra
ribanceira do riacho.

Passava pelo Lindolfo
cortando aquele serrote
rodeado de vazante,
na passagem do Zé Cote,
tinha terra com fartura,
pra ser dividida em lote.

Quando chega na Rozia,
com terras boas de lado,
terra pra qualquer cultivo,
basta só ser irrigado.
O chão é fertilizante,
mas tem que ser trabalhado.

Essa história de dizer
que ninguém quer trabalhar,
isso nunca existiu,
não vale a pena lutar
com serviço sem retorno,
sem ter nada a aproveitar.

Quando revivo a lembrança
sinto no peito um gemido,
imaginando como era
ali no poço cumprido,
nas terras do Seu Augusto,
como era conhecido.

Vai descendo aquele rio
nas terras da Americana,
com croas apropriadas,
para plantio de cana,
coco verde, melancia
e plantação de banana.

Vai descendo e vai descendo,
sem nenhuma utilidade
naquele sertão agreste
só falta a boa vontade
de prender aquelas águas
pras nossas necessidades.

Era riqueza tamanha,
que se vê a olho nu
em sua vegetação
coberta de guagirú
e encerra sua viagem
entrando no Acaraú.
(Auzim Freire)
Traíra e Rosário de Cará (Tilápia)

Núcleo base de sua família

 
O quintal,o fogão a lenha e a goma

Poeta e casa de farinha - típico de Amanaiara

Avani, Marcelo, nora (Thais), Marcela (família do poeta)


O diário da Avani

Nasci a três de agosto
do ano quarenta e nove
naquela terra tão boa,
principalmente quando chove,
o meu tempo de criança
ainda hoje me comove.

O papai não era pobre,
porém não era rico,
tinha uma tende de cela,
fazia arreios pra burrico,
também fazia roçado,
cada qual tinha seu bico.

Eu tenho muita saudade,
não posso deixar de ter,
naqueles dias cedinho,
depois do amanhecer,
quando eu ia buscar água
na cacimba de beber.

As noites eram um encanto,
os dias eram uma beleza,
as manhãs eram sorrisos,
ali não tinha tristeza,
era tudo comandado
por obra da natureza.

Eu nunca pensei na minha vida,
nem passou na minha mente,
como é que as coisas mudam
de maneira de repente,
mas são as coisas da vida,
não pode ser diferente.

No começo do inverno,
quando as chuvas começava,
papai fazia o plantio,
todo mundo se alegrava,
daquele dia pra frente
o verde predominava.

Agente sente alegria
com a chuva molhando a terra,
os touros torcendo moita,
os sapos e os bezerro berra,
a neve fazendo fumaça
subindo o topo da serra.

No nascente aparecia
umas tores de capelo
papai dizia logo:
aquilo é chuva de gelo,
nós ficava com medo,
de arrepiar o cabelo.

Quando a chuva desfiava
no serrote das ovelha,
nós com medo da chuva
chega muchava as orelha,
só escutava o chiado
dela correndo na telha.

Mas a vida era tranqüila,
tomando banho no Juré,
agente se preparava,
com o espírito de fé,
pra ir a todas as novenas
da festa de São José.

A outra felicidade
era a semana santa,
começava quarta-feira,
minhas recordações são tanta
que sinto um bolo de saudade
entalado na garganta.

O mês de maio as novenas
do santo mês de Maria,
agente se aglomerava
em forma de romaria
pra assistir as novenas
que Chico José fazia.

Naquele tempo difícil
nós tudo se adorava,
facilidade não tinha,
mas agente nem ligava,
se tinha coisas melhor,
delas nós não participava.

Me lembro da lua cheia,
redonda como uma esfera,
nós sentado na calçada,
todo mundo a sua espera,
quando ela aparecia
no Serrote da Tapera.

Do alto da casa velha
eu nunca perdi de vista
o juazeiro da vaca,
carnaúba do Batista,
são símbolos mirabolante
encontrados nessa lista.

Os cajus do Neftali,
as canas dos Oliveira,
engenhoca de pau
puxada na bolandeira,
os pés de maracujá,
as mangas da Cabaceira.

O meu primeiro sapato,
minhas primeira chinela,
eu limpava com cuidado,
estendia na janela
e ficava observando,
não tinha coisa mais bela.

O meu primeiro vestido,
quando eu era adolescente,
ainda vive na memória
como se fosse presente,
saudade da minha terra
eu sinto constantemente.

Tinha na frente da casa
uns dois pés de trapiá,
a moita da Erundina,
um pereiro e um jucá,
eu tenho tudo na mente,
parece até que estou lá.

Tinha um pé de caroba,
imburana também tinha,
dois pés de pau branco grande
no terreiro da cozinha,
onde a mamãe fazia
o puleiro das galinha.

Meus irmãos todos casaram,
eu fiquei só com meus pais,
o desarranjo do ninho
começava a dar sinais,
todo aquele paraíso
foi ficando para trás.

Ai me tornei mocinha,
a casa estava vazia,
meus irmãos tinham casado,
só eu da turma existia,
conheci Antônio Furtado,
com quem também casaria.

Tive uma vida de rosa,
ele era genial,
mesmo distante de todos,
da minha terra natal,
nossa união foi perfeita
até a hora final.

Eu fiquei com dois filhinhos,
o Marcelo e a Marcela,
quando Deus fecha uma porta
vai abrindo uma janela,
e é por essa abertura
que eu tô passando por ela.

Hoje o Rio me acolhe,
minha vida toda mudada,
meus costumes diferente,
minha vizinhança trocada,
sem ninguém daquela época,
meu Deus, que coisa engraçada.

O Toinho, a Terezinha,
Seu Chico, Dona Maria,
José Veiga, Preta e Iraci,
Cumpade João Zacaria,
Mãe Ritinha e Chico Preto,
Padrim Djauma e Messias.

Não tenho do que reclamar,
nem dar ninguém por culpado,
Marcela está se formando,
Marcelo já é formado,
tenho o Assis e a Cacilda,
Jesus e Maria ao meu lado.

(Auzim Freire)

A terra do poeta
 
A procissão de São José em Amanaiara/CE

     

As cabras e o bode pai-de-chiqueiro

As cabras no tabuleiro,
no seu hábito natural,
comendo as folhas de pau
caídas do juazeiro.
O bode pai-de-chiqueiro
com sua aroma aguçada
vem se deitar na calçada,
ali fica cochilando,
cansou de andar bodejando
sem ter arranjado nada.

(Auzim Freire)


Benilde Ribeiro
A garota batalhadora

Vendendo água em quartinha
nas passagens dos horários
dispensava comentários
o prazer que ela tinha.

Fez isso desde menininha,
sempre ganhou o seu dinheiro,
quer fosse horário ou cargueiro,
sempre ela estava a espera,
quer saber quem era a fera,
Benilde Martins Ribeiro.

Jogava bila apostado,
brincava de cafezeira,
xingava Angélica Oliveira,
vendia milho no mercado,
ganhou sempre seu trocado,
fez tudo o quanto gostava,
se precisasse brigar, brigava,
era desembaraçada,
nunca tropeçou em nada,
nada lhe amedrontava.

Botava trolho na estrada
pra pegar água na ponte,
comprava no Luiz Monte
pão, rapadura e cocada,
talvez nem lembre de nada,
pois era muito criança
e o que houve de mudança,
não gosto nem de lembrar,
mas tudo que passou por lá
eu mantenho na lembrança.

Seu pai se chamava Chico,
a sua mãe Mariinha,
sua irmã Terezinha,
casada com o Espedito,
um casal muito bonito,
ai nasceu o Porcão,
mas isso foi sei irmão,
que assim lhe apelidou
e até hoje ficou
esse nome de barrão.

(Auzim Freire)

 
Casa do Agente (Amanaiara/CE)


  
Carregar água e madeira no interior


(Fontes: Ortencia Ribeiro, 2007-10; Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XVI, IBGE, 1959; Guia Geral das Estradas de Ferro do Brasil, 1960; Mapa - acervo R. M. Giesbrecht)
TRENS - Os trens de passageiros pararam nesta estação de 1929 a 1988. Na foto, trem do ramal em Amanaiara (1956).
A ESTAÇÃO: A estação de Sinimbu foi inaugurada em 1929, mais de 35 anos depois da abertura da linha. Em 1938, tornou-se distrito do município de Santa Cruz, mais tarde Reriutaba. Em 30 de dezembro de 1943, a estação e o distrito passaram a se chamar Amanaiara. Esteve abandonada, mas por inicativa da Associaçao dos Moradores do Bairro do Peixe, foi restaurada em 2009 e serve agora a uma "estação digital". (fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/ce_sobral/amanaiara.htm)


Estação Ferroviária em 2007


O time de Amanaiara

Me lembro daquele time
que tinha na Amanaiara,
perdia alguma partida,
mas era a coisa mais rara,
porém, se acontecesse,
vendia a derrota cara.

Valdir Vieira o goleiro,
ligeiro que só um gato,
qualquer bola ele pegava,
com reflexos imediato,
sempre mantinha o cuidado
de estar em lugar exato.

Quem jogava com a dois
era José Avelino,
limpando a frente da área,
com poderoso domínio,
dizia que brincadeira
era coisa pra menino.

Camisa número três
era do Compadre Dão,
com seu porte avantajado,
custeleta e bigodão,
se alguém passasse por ele,
com certeza ia pro chão.

Camisa número quatro
era do Vei Zeferino,
jogava fazendo apoio
a Raimundinho Sabino,
fazia gosto se ver
o jogo desse menino.

Camisa número cinco,
fechando a zaga por dentro,
com seu futebol vibrante,
de poderoso talento,
era o posto confiado
a Tarcísio Fedorento.

Camisa número sete
era Raimundo Sabino,
jogava sendo apoiado
pelo Vei Zeferino,
nenhum desses joga mais,
são as coisas do destino.

Oito Expedito Avelino,
um cidadão educado,
jogava fazendo apoio
a quem tava adiantado,
era muito bom de bola,
dava conta do recado.

Nove Gerardo Ribeiro,
o rompedor de parede,
gostava de fazer gol
para matar sua sede,
bola rolando na área
já era bola na rede.

Camisa dez o Catita,
jogando mais recuado,
era o comando do time
dum futebol respeitado,
era nego bom de bola,
difícil de ser marcado.

Camisa número onze
era a posição do Beça,
gostava de brincadeira,
como criança travessa,
era difícil conter
uma onzena com esta.

Eu tenho aquilo na mente,
bem gravado na memória,
quando o time ia jogar
contra o Lagoa de Fora,
saia daqui meio dia
e chegava sete hora.

Sempre trazia a vitória,
todo mundo era animado,
jogadores e a torcida
faziam aquele alarado,
quando o carro ia chegando
no comando do Gerardo.

Agente sente saudade
olhando aquilo de perto,
a calçada da estação,
as conversas do Seu Terto,
tudo aquilo se acabou-se,
mas isso temos por certo.

Me lembro da emoção,
por nosso povo sentida,
quando o Caboquinho Ribeiro
para o trem dava partida,
tudo isso aconteceu
no meu começo de vida.

Sebastião Aristides,
Chico e Anastácio Ribeiro,
o carro velho do Gerardo,
parado no atoleiro,
esse era o panorama,
do meu tempo de solteiro.

Lembro de Chico Preá,
do Seu Mané Avelino,
lembro de Miguel Barbeiro,
Mestre Zaca e Zé Sabino,
daquelas vassouras feitas
pelo Raimundo Gaudino.

Quem não lembra do Morais,
dos bolos do Caiçara,
das palmas do Seu Almeida,
das portas feitas de vara.
São as coisas que compõem
a história de Amanaiara.

As pessoas mais folclóricas
que levavam a vida inteira
apelidando a negada,
em tipo de brincadeira.
Beça, Seu Gildo e Catita,
Zé Terto e Valdir Vieira.

Zé Miguel com seu jumento
carregado de surrão,
trolho carregando água,
o trem puxando vagão
e as conversas do Albano
na calçada da estação.

Tinha Chico Tapuru,
Quenhengo do Zé Sabino,
Casaca, Anastácio Grosso,
tinha Pedro Belarmino,
Lavanca, Mané Coelho,
Lira e Chico Diolino.

Tinha umas coisas folclóricas
pra enriquecer o lendário,
Luiz Ribeiro de silora
dando passagem no horário,
quando ele passava a noite
fora do itinerário.

Tinha a turma da estrada,
Chaga e Expedito Avelino,
tinha Chico Silvestre,
tinha o feitor Seu Sabino,
Marinho, Raimundo Cesário,
Chaga Fausto e Zeferino.

Lembro do Seu Avelino,
de sua fala macia,
das feiras do barracão,
do bazar que nós fazia,
da festa de São José
quando não tinha energia.

Me lembro daquela luz
se apagando às nove horas,
dava o sinal oito e meia,
mandando o povo ir embora,
e quem não obedecesse
ficava do lado de fora.

Hoje a luz vive direta
dia e noite, a noite inteira,
agente sente saudade
dos costumes de primeira,
quando agente obedecia
o apito da caldeira.

Minha história é um tanto chata
pro pessoal educado,
quem só vive do presente
se esquece do passado,
se gostaram ou não gostaram,
lhes digo muito obrigado.

(Auzim Freire)

Valdir Vieira, Gerardo Ribeiro, José Edvar

 
Oitcica
Família Pinto (velha guarda)

Dona Dedé (Qutéria), matriarca da Família Pinto

História da Família Pinto - Amanaiara - 2011 - Contada por Dona Rosa


Chico Pinto e Mimosa

D. Isaura Pinto

Cícero Pinto, Rosa Pinto, Antônio Pinto, Adelaide Pinto e Socorro Pinto
Franscisco Pinto, Vicente Pinto, Iá (de pé)



Vicente Pinto

Falar de Vicente Pinto
é uma tarefa pesada,
porque ele foi um homem
de vida qualificada.
Era muito prestativo,
muito amigo e camarada.

Vivia perto do povo
para qualquer advento,
sempre ele fazia aquilo
com muito contentamento,
sempre na hora precisa,
Vicente tava por dentro.

Fez algumas maus passagens,
como todo mundo faz,
pois nas condições humanas,
todos nós somos capaz,
mas homem como o Vicente
o Sinimbu não dá mais.

Um rico sem aparato,
sem fazer conta de nada,
pegava qualquer pessoa
que gostasse de cassada,
passava a noite no mato,
comendo marreca assada.

Vicente Pinto fez falta,
de janeiro a janeiro,
fez falta no meio da rua,
fez falta no tabuleiro,
quer saber se isso é verdade,
pergunte a Gerardo Ribeiro.

Vicente não era homem
de andar se amostrando,
mas quando as coisas apertava
Vicente estava chegando,
sempre usava a hora certa
e não saia falando.

Mantinha muito empregado,
ele foi, a fama fica.
No tempo que as riqueza
era cera e oiticica,
ele partiu dessa vida,
deixou a família rica.

Com prazer ele arrumava
O leilão de São José,
participava de tudo,
foi homem de muita fé,
pra gente assim, desse jeito,
sempre tirei o boné.

O Vicente tinha um jeito
que todo mundo gostava,
quem precisasse uma coisa,
pontualmente arranjava,
quem comprasse ele vendia,
quem lhe pedisse ele dava.

Quando o Vicente morreu
teve um silêncio profundo,
foram poucos os que gostaram,
declaro e não me confundo,
se sabe, nem Jesus Cristo
agradou a todo mundo.


(Auzim Freire)
Arco da entrada de Amanaiara/CE
Oiticica
PlantaSonya - Oiticica – (Licania Rigida)

Os primeiros veículos de Amanaiara
O Chico Ribeiro


Foi também inesquecível
na nossa comunidade
Francisco Martins Ribeiro,
um homem de qualidade,
no lugar onde morava
e querido na cidade.

Foi nosso chefe político,
era muito conhecido,
apoiava a UDN
que sempre foi seu partido,
política na nossa terra
sempre é muito perseguida.

Os Pinto, seus conterrâneo,
que eram PSD,
para derrubar Seu Chico,
cada um tinha um prazer,
era uma luta ferrenha
ver um ou outro descer.

Quando Seu Chico ganhava
mudava o lugar da feira,
trazia pra Bela Vista,
onde era de primeira,
e quando os Pinto ganhavam,
faziam da mesma maneira.

Seu Chico como político
agradava o pessoal,
quem fosse pra Amanaiara
tinha seu apoio total,
dava casa pra morar,
era muito especial.

Isso aqui tem muita coisa
feita por Chico Ribeiro,
o término da igreja,
um dos seus atos primeiro,
inclusive aquela imagem
trazida do estrangeiro.

Ele começava a festa,
enquanto o padre chegava,
fazendo aquelas novena
e o povo apreciava,
onde fosse preciso
o Chico Ribeiro estava.

Botava o trolho na estrada
pra pegar água na ponte,
a cacimba era no peixe,
pois nós não tinha outra fonte,
abastecia com água
aquele povo distante.

Era um líder político
e também comunitário,
acredito que ninguém
dê testemunho ao contrário,
tinha presença direta
dentro daquele cenário.

O Seu Chiquinho morreu,
ainda com pouca idade,
pra nós deixou muita falta,
pros filhos deixou saudade,
foi uma perda tamanha
pra quela comunidade.

(Auzim Freire)




Casa da Fazenda (primeira morada do poeta quando casou)
A casa da floresta


Floresta minha floresta,
minha morada querida,
tenho um pedaço de vida
escondida nessas fletas.
Só a lembrança me resta,
saudade e recordação,
guardada no coração,
sem poder ser esquecido
aqueles dias vivido
nesse pedaço de chão.

As noites eram um paraíso
de tão bom que a gente achava,
a gente se acomodava,
as manhãs eram um sorriso,
tudo que era preciso
a gente tinha a vontade,
distante de vaidade
naquela vida grosseira,
se levava em brincadeira
aquelas dificuldades.

Logo ao amanhecer
se acordava sem mágoa,
nós dois imos buscar água
na cacimba de beber,
nós gostava de viver
neste cantinho isolado,
naquele tempo passado.
Hoje tudo diferente,
a recordação da gente
ficou no peito guardado.

Eu tinha vinte e dois anos,
mas era muito inocente.
Nós enxergava para frente,
muitos sonhos e muitos planos,
depois veio os desenganos,
procurei outra batida,
foram ilusões perdida,
encontrei felicidade,
mas continuo com saudade
do meu começo de vida.

A gente gostava tanto
dos cânticos dos passarinho,
Canário fazendo ninho,
nos colorindo de encanto,
aquilo foi um recanto
dos mais puros em minha vida,
naquelas datas querida
não me esqueço um momento,
vive guardado por dentro
no perfil da minha vida.

Era tudo primavera,
minha vida despontando,
uma ramagem formando
com suas flores frutíferas,
era assim que a vida era
traçada no pensamento,
a gente sentia dentro
aquela felicidade,
não tinha dificuldade,
era só contentamento.

A gente achava gostoso
viver naquele deserto,
mas tudo tem tempo certo
neste mundo majestoso,
nem achava perigoso
morar longe de vizinho,
tudo afastado e sozinho,
de tão bom que agente achava
de manha quando acordava
com o cântico dos passarinhos.

Depois eu fui na Floresta,
mas fiquei arrependido,
antes não tivesse ido
olhar as coisa que resta,
ali eu fiz minha festa,
ali foi minha morada,
hoje vive abandonada.
Ali foi meu aconchego,
hoje só mora morcego
nas porta de pendurada.

Entrei com muito temor,
vi as datas na parede,
o lugar da minha rede
e da rede da Socorro.
Como foi que se passou
tamanha felicidade,
nós dois na flor da idade,
tudo em começo de vida,
não pode ser esquecida
nos momentos de saudade.

As datas foram escrita
com fruta de oiticica,
o tempo não danifica,
cada vez ficam mais vista.
Ali não tem quem resista,
eu era tão satisfeito,
bebe chora pelo peito
o seu primeiro alimento,
eu também sinto por dentro
emoções do mesmo jeito.

                                                                                              (Auzim Freire)

Árvore de pau-branco

Casa de farinha no Macaco

Porteira


Casa Velha do Macaco (Proprietários Antenor Costa, Isabela Costa e Celé Costa)
Casa Velha do Macaco ("Paraíso Abandonado")


Casa Velha do Macaco

Casa Velha do Macaco,
paraíso abandonado,
quem foi você no passado,
hoje esta ruma de caco.
Parece até um buraco,
uma caverna sem porte,
mas foi assim tua sorte,
ficar ai se acabando,
te olho quase chorando
daqui de cima do corte.

As vindas de madrugada,
chegava aqui bem cedinho,
foi tratada com carinho,
esta pungente morada.
Hoje vive abandona,
sem trato, sem galesia,
a sala que nós dormia,
hoje suja e esburacada,
tu nunca foi maltratada
quando o teu dono existia.

O chiqueiro das ovelhas,
os carneiros dando berro,
a velha estrada de ferro,
os cortiços de abelha,
aquela barra vermelha,
de manhã quando o sol nasce,
o canteiro de alface
que Dona Bela plantava,
eu juro como eu pensava
que aquilo não se acabasse.

Os pés de manga gigante
da cacimba de beber...
fazia gosto se ver
um pantanal verdejante.
Naquele tempo distante,
hoje tudo diferente,
a temperatura quente
transforma aquela beleza,
a força da natureza
mudando a vida da gente.

Na minha mente vazia
uma lembrança se passa,
quando a Maria Fumaça
ali se abastecia,
diferente de hoje em dia,
morava ali muita gente,
num passado não recente.
Mas o tempo não espera,
transformou tudo em tapera  
demolindo o ambiente.

As palhas de carnaúba
estendidas no quintal,
o cântico do bacurau,
o pé de maçaranduba,
o serrote da ponta aguda
onde dorme os urubu,
a cobra surucucu
na baixada da floresta,
cantando, fazendo festa
nos buracos de tatu.

Esta casa ainda existe,
mesmo fechada e sozinha,
sem ter uma casa vizinha,
mesmo assim ainda persiste,
no semblante tenso e triste,
toda desaparelhada,
sem ter quem dê uma olhada
ou passe ao menos por perto,
dificultado o acesso
até mesmo de uma estrada.

Isso aqui já teve história,
foi confortável ambiente,
refúgio de muita gente
no tempo de sua glória,
tenho vivo na memória
as noites de farinhada,
reunia a meninada,
comendo farinha mole
quando ela fazia o grole,
no forno sendo torrada.

Cadê teu velho curral?
Tua casa de farinha?
O terreiro da cozinha
coberto de bamburral?
Não tem mais nem o sinal
do que tu representava,
no momento que eu estava
pensando profundo e tenso
era quebrado o silêncio
com o cargueiro que passava.

Existem coisas na vida,
umas passa outras não passa,
tem umas que se disfarça,
mas permanece mantida,
sem poder ser esquecida,
vão bolando no espaço.
São observações que faço,
no meu pequeno sentido,
o que não foi excluído
permanece no pedaço.

Como o cântico da siricora,
na noite de lua cheia,
o caburé de urêa,
zumbido do caipora,
isso ai não foi embora.
Ficaram como virtude,
outra que não tem quem mude,
quando chove a noite inteira,
é o ronco da cachoeira
na sangria do açude.                                                               
(Auzim Freire)

 Landinho Pé de Bode
Ovelhas na solta e o sanfoneiro no sertão
Macaco - local de parada da Maria Fumaça
Maria Fumaça



A vaca desnutrida

Uma vaca desnutrida
vagueando no terreiro
procurando o estaleiro
onde se bota a comida,
quando chega da bebida
o dono chama seu nome,
coitada morta de fome,
nosso sertão é malvado,
é ruim pra criar gado
quando o recurso se some.
(Auzim Freire)


Instrumentos Regionais - Gabriel Arcanjo
Queima de fogos na Festa de São José organizada anualmente pelo poeta Auzim em Amanaiara

  



Queima de fogos na Festa de São José organizada anualmente pelo poeta Auzim em Amanaiara - 2010



Casa dos sogros do poeta Auzim em Amanaiara
Empresa Linhares - única por anos no precurso Amanaiara/Sobral

Filhos, netos e sobrinhos do poeta na casa do sogro
Casa de Farinha e farinhada

Família reunida na casa do Sr. Antenor Costa (sogro do poeta)
Fazendo farinha

O trem passando pelo corte no Macaco (Amanaiara/CE)

 
Monsenhor Ataíde Vasconcelos - Pe Camundé

A Igreja de São José em Amanaiara/CE
Altar da Igreja de São José (Amanaiara/CE)

 
Igreja de São José antes da reforma - Comícios a moda antiga
Vista de Amanaiara/CE (calçada da Dona Rosa)

Família Pinto


Clovis Renato, José Veras, Tobias Veras - 2012

José Mansueto e família


Apetrechos de vaqueiro
Vista aérea de Amanaiara/CE

            
O vaqueiro


A figura do vaqueiro
é muito presenciada
o seu grito na chapada,
no seu cavalo ligeiro,
pegando boi bandoleiro
que se aparta do gado,
pega e traz mascarado,
junta com o rebanho,
depois janta, toma banho
e vai dormir sossegado.

(Auzim Freire)
Casa dos Srs. Antenor e Rosa (sogros do poeta) - tocador de pífano

A religiosidade

A devoção do poeta Auzim

    

Pais
Pais do poeta (Ribeiro e Luzia)

Tamarina - Bandinha

Pais do Poeta
 

Fazer celas (profissão do pai do poeta)

Pais do poeta
Saída para trabalhar na roça

Família

Sogros do poeta
Carnaubal
Sogro do poeta em cima da parede Açude do Macaco

Locomotiva diesel-elétrica modelo Montreal Locomotive Works – MLW RSD12 número 3510, de 1962, da série 3501 a 3510, adquirida pela RFFSA para a Estrada de Ferro Central do Brasil, coligada “Central.

Coivara

Albano, Chico e João Veras

Albano Vera

Pessoa como o Albano
também não existem mais,
ele era um homem humilde,
mas tinha muito cartaz,
foi uma perda profunda,
o que ele fez, ninguém faz.

O Albano só vivia
trabalhando para o povo,
com ele não tinha escolha,
fosse velho ou fosse novo,
muitas vezes se aperreava,
que nem um pinto no ovo.

Arranjou muito recurso,
não guardou nada pra ele,
repartia com o povo,
fosse esse ou fosse aquele,
nunca teve vaidade,
era essa a vida dele.

Tinha alguém que não gostava
do trabalho do Albano,
ele foi uma pessoa
que viveu pros conterrâneos,
aqueles mais precisados,
sempre estavam nos seus planos.

Levava pro médico em Sobral,
cliente nunca faltava,
naquele tempo que o trem
as nove horas passava,
de quatro ou cinco pessoas,
toda vida ele levava.

Eu falo porque me lembro
de tudo como passou,
nas horas necessitadas,
das vidas que ele salvou,
só quem fala do Albano
é quem dele não precisou.

Ele nunca usou sapato,
sempre andava de chinela,
palitó, ninguém nem fala,
tinha uma vida singela,
vivia como gostava,
a sua vida era aquela.

Se o Albano quisesse,
ou se fosse interesseiro,
tinha deixado fortuna,
pois teve muito dinheiro.
Tinha um grande eleitorado,
muito amigo e companheiro.

Morreu e deixou saudade,
ficou João Veras seu vulto,
contanto que Amanaiara
ainda vive de luto,
com grandes recordações
nos seus pensamentos ocultos.

(Auzim Freire)
 
Chapéu de palha de carnaúba
Antiga feira em Amanaiara - anos 70-80
O encontro inesperado

Chico Veras foi uma das pessoas de grande importância em Amanaiara, candidato a vereador muitas vezes, tirou votos de sobra para sua legenda, contudo não quero falar de Chico Veras politico, mas sobre o homem comum.
Detentor de muita capacidade, enorme conhecimento e valor dentro da cidade de Reriutaba, mesmo assim era muito amigo de qualquer pessoa que o procurasse.
Um dia Chico estava passeando na casa de seus parentes em Fortaleza, nessa época passava um trem em Amanaiara às nove horas do dia e chegava à tardinha em Fortaleza, ele foi assistir a chegada do trem.
Nesse trem vinha um conterrâneo seu, que saiu, sentou-se na calçada da estação com uma sacolinha de lado e ficou ali olhando o povo passar. Quando, de repente, apareceu Chico Veras e perguntou ao conterrâneo:
 - O que você anda fazendo aqui sozinho?
O conterrâneo respondeu:
- Lá as coisas estão muito difíceis, eu vim ver se arranjo alguma coisa para fazer aqui.
Chico lhe perguntou:
- Quem está te esperando?
O conterrâneo respondeu:
- Ninguém.
Chico perguntou:
- Tu conhece alguma coisa aqui?
O conterrâneo disse:
- Não, eu vou passar a noite por aqui, amanhã vou procurar alguma coisa.
Chico disse:
- De maneira nenhuma, você vai comigo para casa de meus parentes.
O conterrâneo disse:
- Não Chico, deixe eu aqui já vim disposto a tudo.
Chico disse:
- Isso não.
Pegou a sacolinha do conterrâneo, botou no ombro e disse:
- Me acompanha.
Vieram para a Praça José de Alencar, pegaram o ônibus Granja Paraíso até a casa do Rossi, quando o Chico disse:
- Olha ai titio, quem queria passar a noite na rua!
Rossi disse:
- Mais rapaz tu é doido! Dormir na rua, num lugar desse. Aqui você esta em casa.
Então deu janta ao conterrâneo, rede para dormir e tudo que ele precisava.
No outro dia Chico voltou para a Amanaiara e, ao sair, disse:
- Titio faça tudo pelo nosso conterrâneo.
Daquele dia em diante não lhe faltou mais nada, desde o momento em que foi encontrado por Chico Veras na calçada da estação.
São essas as coisas que eu tenho a falar do nosso saudoso e amigo Chico Veras.

(Auzim Freire)

Estação Ferroviária Engenheiro João Felipe (Fortaleza)


Os criadores de Reriutaba

  São poucas pessoas que procuram saber como foi o inicio de nossa cidade, nem tão pouco saber guardar as memórias de seus ilustres cidadãos que fizeram esse município, que se transformou nessa grande cidade.
Tem que ter uma imagem viva e, sempre que for possível, tenham seus nomes citados através das comunicações.
Para quem não conheceu é bom saber da importância que tiveram esses cidadãos. Isto aqui foi a Santa Cruz de Raimundo Rodrigues, de João Taumaturgo, de Raimundo de Castro, de Doutor Osvaldo. O grupo formava uma base politica que se organizava e sempre estava ativa nos destinos dessa cidade, por parte da saudosa UDN. A outra parte, o PSD tinha, também, homens de grande vulto como Agripe Soares, Alfredo Silvano, Edson Silvano (filho), Assis Calixto, Chico Baier e outros que me fogem a memoria.
Eram duas linhas que faziam politica com muito respeito um pelo outro. Raimundo Rodrigues tido pelo povo como a maior referencia por ser o mais velho do grupo. Tudo que fosse para o bem dessa cidade tinha a observação deste grupo de ilustres senhores, que acompanhavam tudo de perto.
Na parte comercial Luiz Taumaturgo, Alfredo Silvano, Raimundo de Castro, na época dos armazéns que compravam e vendiam produtos da terra, negociavam com esse tipo de comércio.
Zé Randal, Chaga Viera, Seu Doquinha, eram os comércios mais arrojados da época seguidos pela padaria do Filemon e a bodega do Senhor Juvêncio. Uma das primeiras lojas de tecidos foi a de Raimundo Honoro, pai de Doutor Osvaldo. A primeira farmácia foi de José Aguiar e Luiz Calixto.
Na Igreja, os padres que mais permaneceram foram padre Zé Cardoso, Padre Expedito, Padre Otacílio, Monsenhor Ataíde e hoje padre Emídio.
Quanto aos ferroviários, me lembro do agente da estação, seu Joquinha.
A primeira pensão, como se chamava, era de Antônio Florêncio, perto da estação do trem.
No mercado tinha o café da Nequinha, muito apreciado pelo povo da cidade café, tapioca e leite tinham as cocadas da Jesus, Seu Antônio Pinto (pai do João Pinto, Dó e Tarcísio Pinto), que eram os responsáveis pela manutenção de carne no mercado.
Existiam aquelas pessoas afastadas como Leopoldo (da Areia), Zé Vieira (do Fechado), Neo Fulô (do Riacho dos Porcos), Cícero Vieira (do Peixe), Chico Ribeiro (da Amanaiara), José da Costa (do Macaco), Patriolino Vinuto (dos Anjico), Inacio Mimora (da Lagoa Seca). Toda essa gente formava um grupo fortalecido pelos dirigentes da cidade.
Naquela época não existia carro, o primeiro que apareceu em Reriutaba foi uma picape verde escura, da prefeitura de Raimundo de Castro. João Taumaturgo comprou um jipe, Pedro Rodriques (irmão de seu Raimundo) tinha uma motocicleta, Agripe, Raimundo Rodrigues, Luiz Taumaturgo e os outros nunca se lembraram disso, carro não era tudo para aquele povo, o transporte era feito por animais e o trem que passava fazendo horário de Fortaleza para Crateús.
O Raimundo Rodrigues indicava seus candidatos da prefeitura, mas nunca se candidatou, era o chefe politico da cidade e gostava sempre de ficar por fora. A politica da época não tinha propinas, se votava por fidelidade ao partido e amizade aos candidatos. O prefeito ou o grupo atendia na cidade no que fosse necessário para o povo do município. Reriutaba vivia grande harmonia.
A mudança no modo de agir dos políticos da localidade começou a partir de 1954, momento em que determinadas alas passaram a utilizar estratégias diferentes, dentre elas a influência vinculada ao trabalho dos moradores que estavam empregados na construção do Açude de Araras. Assim, os engenheiros, donos da mão-de-obra, foram favoráveis a um candidato e sugeriram que os trabalhadores os seguissem com o voto nas urnas. Estratégia que deu certo.
Em 1954 houve eleição municipal, ocasião em que convenceram Seu Raimundo a se candidatar contra o candidato Vicente Pinto.
Naquele tempo estavam construindo o Açude de Araras, com aquelas estradas de rodagem que ligavam Sobral a Reriutaba, da maneira que tinha muita gente de fora (trabalhando em Araras na barragem). Vicente Pinto tinha muita influência com os engenheiros do açude e, de certa forma, os engenheiros dominavam grande parte do pessoal do distrito. Enquanto Raimundo Rodrigues e seu povo dormiam tranquilos (na véspera da eleição), Vicente e seus cabos eleitorais, em Araras, trabalhavam a noite toda. Ao final, mesmo com todo o trabalho de influência, a diferença do número de votos foi pouca, mas foi o suficiente para derrotar Seu Raimundo.
O vencido, decepcionado, decidiu, juntamente com seu grupo, não mais se candidatar e nem apontar candidatos.     
(Auzim Freire)


Escola Deputado Manoel Rodrigues – Amanaiara/CE
(escoladeputadomanoelrodrigues.blogspot.com/p/historia.html)

Criada em 23 de novembro de 1973, através de um político da região, o Deputado estadual Manoel Rodrigues, natural da cidade de Cariré, Ceará, intermediado pelo ex-vice prefeito Albano Teodósio Veras, filho do distrito de Amanaiara, Reriutaba-Ce. A escola Deputado Manoel Rodrigues começou seu funcionamento no ano seguinte de sua criação com cinco salas de aula, tendo como diretor Edson Bezerra Gomes, secretária escolar Maria do Socorro Martins e professoras: Maria José Basílio, Maria José Veras, Maria do Socorro Torres Camelo, Maria do Socorro Monte e Maria Teixeira de Morais, todas elas com formação ginasial.
Quando começou a funcionar a estrutura do prédio não era tão boa, pois as salas eram pequenas e mal arejadas. Inicialmente o numero de alunos eram bem reduzidos, divididos em: Alfabetização, 1ª, 2ª, 3ª e 4ª series.
Em 1989 começou a funcionar a primeira turma do ginásio, e em 1993 teve a primeira turma a se formar. No ao de 2000, a Escola de Ensino Infantil e Fundamental Deputado Manoel Rodrigues, assim denominada até hoje, passou a ser um anexo da Escola Estadual Coronel Alfredo Silvano de Reriutaba, onde iniciou a primeira turma de Ensino Médio. (Fonte: http://escoladeputadomanoelrodrigues.blogspot.com/p/historia.html)
Vídeos e matérias relacionadas à atuação da escola amanaiarense:
Homem Livro na Escola Manoel Rodrigues em Amanaiara:
Festa junina na Escola Deputado Manoel Rodrigues - Amanaiara/CE

 
Amanaiara
A Escola João José de Mesquita virou um posto de saúde em 2011
Um amigo



Nasceu de família nobre,
como assim eu classifico,
o seu pai não era rico,
mas também não era pobre,
veja se você descobre
o nome desse rapaz,
o trabalho que ele faz,
o caráter que ele tem,
não discrimina ninguém,
é prestativo demais.

O seu pai teve o cuidado,
de educar toda a família,
poucos fugiram da trilha,
quase todos são formado,
hoje seu pai é finado,
mas deixou um grande nome,
foi um exemplo de homem,
transmitiu sua energia,
que até hoje em dia
nem o tempo consome.

Até hoje desconheço
quem procurou seu abrigo,
que não encontrou um amigo
sem pensar em interesse,

fielmente lhe obedeço,
sua maneira me agrada,
é um cara sem fachada,
chega na hora precisa,
poderia ter divisa,
mas não quer saber de nada.

A profissão que ele exerce
é de alta qualidade,
mas não lhe dá vaidade,
quem ver ele nem parece,
só sabe quem o conhece,
o seu poder de ciência,
tem profunda obediência
as normas do Deus divino,
não desacata o destino,
nem põe defeito nas crenças.

Ele é aposentado,
tem um salário decente,
mas é amigo da gente,
não quer viver separado,
sempre vive ladeado
de gente lhe procurando,
as vezes até atrapalhando,
mas ele não se importa,
pra todo mundo abre a porta,
e eu tô lá de vez em quando.

Ele louco por caçada,
é uma herança que guarda,
adora uma espingarda,
andar de pé na chapada,
arranjar um camarada
que tope o tipo de esporte,
é ainda novo e forte,
tem um alvo certeiro,
raciocinar ligeiro
é um dos seus altos porte.  

Ele é muito divertido,
só fala com brincadeira,
mas é gente de primeira,
conversa em qualquer sentido,
não tem papo preferido,
sempre vive com alegria,
gosta duma putaria
pra não ficar trapalhando.
- Sabe de quem estou falando?
Hermengildo Farias.

Doutor nós te parabeniza
pelo seu aniversário
e no meu vocabulário
essa frases se desliza,
com o afago da brisa
que tua vida conserva,
desde o tempo de Eva
essas frases são mantida,
a gente leva da vida
a vida que a gente leva.

(Auzim Freire)
 

Dr. Farias (amigo do poeta)
Osvaldo (Prefeito de Reriutaba)
Homenagem ao Dr. Osvaldo

Tem alguém na minha terra
que não vive satisfeito,
é tudo atrás do prefeito,
brigando e fazendo guerra,
ninguém faz uma reserva
pra uma dificuldade,
quando a coisa é de verdade
e não tá no nosso alcance,
ai sim a gente lance
o prefeito da cidade.

Tem quem peça ao João Veras
pra pagar seus atrasados,
conta que fez no mercado,
com três boletos a espera,
essas coisas nunca era
pra pedir um dirigente,
mas desse tipo de gente
já tão mal acostumado,
se não der fica intrigado
daquele dia pra frente.

Eu preciso do prefeito
para ser o meu escudo,
ser meu troféu para tudo,
menos ter ele sujeito,
eu tenho meu preconceito,
sei minha vida levar,
sei onde posso chegar,
sem lhe aborrecer em nada,
deixar as coisas guardada
pra hora que precisar.

As vezes sou perguntado:
- Que acha do seu prefeito?
Eu respondo do meu jeito,
que o cabra fica calado.
Vocês querem um empregado
que lhes carregue nos braços,
resolva seus embaraços,
e ainda ter o cuidado
de dar tudo cozinhado
sem faltar nenhum pedaço.

Prefeito é pra dar escola,
Prefeito é pra dar merenda,
saber repartir a renda,
senão fica de esmola.
Se não bater bem na bola,
João Ximenes é o espelho,
saiu dali no vermelho,
não tem quem olhe pra ele,
a não ser zombando dele,
isso ai é meu conselho.

Ninguém olha aquele asfalto,
que sem a mão do prefeito
não teria sido feito,
o lamaçal era alto,
com carro rodando aos saltos
desviando dos buracos,
a rua cheia de cacos,
o povo não agradece
aqui e ali aparece
alguém enchendo seu saco.

Amanaiara não tinha
onde se lavar as mão,
hoje tem o Mangueirão
no terreiro da cozinha,
não é só palavras minhas,
Osvaldo sem ser prefeito,
mas por nós teve o respeito,
arrumou aquele açude,
foi da belas atitude,
o Osvaldo é desse jeito.

É o Osvaldo que paga
os fogos de Amanaiara
e a gente nem declara,
nem o seu nome propaga,
existe a lembrança vaga,
chamam os fogos do Auzim,
mas tem que ele sozim
não traz aquela beleza
se não fosse a gentileza
do nosso amigo Osvaldinho.

Tinha fogos todo ano,
antes dele ser gestor,
Auzim, Zé Antenor,
Tereza do Luciano,
João Veras, Aroldo e Holanda,
Renato, Evandro e Hady,
Derli, Chiquinho do Valdir,
Bené, Chiquinho Pinto e Vicente,
Zé Djalmo está presente,
Nágila do Zé Moacir.

A gente se organizava,
uns com menos
outros com mais
tinha que correr atrás,
muito trabalho me dava,
fazia porque gostava
de ver aquela beleza.
Sem Osvaldo, com certeza,
nós continua com fé
no divino São José
pra lhe exaltar com nobreza.

Não é de andar na rua
abraçando o pessoal,
ele é meio cara de pau,
são características sua,
competente continua,
sendo ou não nosso prefeito,
ele sempre arranja um jeito
de resolver os problemas,
esse é o seu dilema,
merece nosso respeito.

Eu peço ao pessoal
que todos sejam sensatos,
votem no seu candidato
nesse pleito eleitoral,
ter posição não faz mal,
conservar sua linhagem,
que pra nós só traz vantagem,
ser correto não mudar,
quando a gente precisar,
encontram nossa bagagem.

Parabéns Dr. Osvaldo
por administração!
É uma satisfação
pra mim você tem respaldo,
quero engrossar o caldo
e mostrar pra essa gente
que você é competente,
tem muita sabedoria,
era o gestor que eu queria,
continue sendo decente.

(Auzim Freire)

Algodão


Família da esposa do poeta
Cultura religiosa do interior
São José carregado na procissão
Amanaiara 2011

Colação de grau do sobrinho (poeta, neta, esposa e sobrinho)

 
     
Feira
A Rua do Mercado - Amanaiara 2011

A jovem guarda de Amanaiara
(Tom Zé e Janjão - animam e mantém vivo o movimento atual das festas de São José)

A mocidade
Auzim aos 25 anos
Quando saí da Rua do Campo

Tenho passagens na vida,
não posso deixar em branco,
daquela Rua do Campo
na hora da despedida.
Ainda vive contida
aquela hora de horror,
quando abracei a Socorro
com os meninos nos braços
e sai contando os passos
sem ter nada a meu favor.

Fui direto a estação,
comprei aquela passagem,
lhe digo sem pabulagem:
-Foi de cortar coração,
no bolso nem um tostão
que fizesse uma merenda,
quando me lembro da lenda
fico todo arrepiado.
Aquilo ali foi passado,
como cortina de renda.


Ninguém sabe o que passei,
deixar mulher e menino,
os dois todos pequeninos,
a força que arrumei,
mesmo até hoje não sei
onde encontrei coragem
e fiz aquela viagem,
mas Deus guiou meu caminho,
encontrei muito carinho,
que eu mesmo não entendo
só Deus mesmo estava vendo,
nunca me deixou sozinho.

Essas passagens serviram
pra minha interpretação,
pode prestar atenção
o que os olhos não viram,
os corações não sentiram,
era o que tinha guardado
para ser presenteado.
Quando as forças ficam poucas,
não ficar correndo as loucas
atrás do tempo passado.

Desde aquele momento
encontrei felicidade,
nunca tive vaidade,
nem falo assim por lamento,
nem chamo de sofrimento,
tudo foi muito legal,
depois achei natural,
fez parte da minha vida,
até mesmo a despedida,
tornou-se fundamental.

(Auzim Freire)
 
Milho

O sábio
Bernardino Ribeiro de Oliveira Freire (pai do peta)

     
Pau-de-arara
Pífanos
João Monteiro dos Santos (lider esportivo, amigo do poeta)

João Monteiro dos Santos (lider esportivo, amigo do poeta)

Time no Parque Araxá - Tigrão Esporte Clube
(Time em que o poeta jogava em Fortaleza)
 
Carcará


Tirando o leite da vaca


Kamille (neta do poeta)
Altar nas casas

Poeta Auzim e o cunhado José Antenor
A cozinha no interior
Karol, Karinny (neta do poeta), Victor (neto do poeta), Clea, Tiago (na casa do poeta)
Milharal
Daniel (neto do poeta) e Gian Carlo (bisneto do poeta)

Yara, Daniel e Gian Carlo (família do neto do poeta)
 
Vaqueiro correndo na mata
Fanny (cunhada do poeta) e Diego/Orestes (neto do poeta)
Galo cantador

A produção emotiva

Regina

Regina minha Regina
Nossa Regina também
O valor que você tem
Você também nem imagina
És uma bela menina
Que a todos nos satisfaz
Tua boca é incapaz
De falar coisas sem brilho
Eu peço ao divino filho
Pra conservar tua paz
Tu hoje és homenageada
Por obter essa glória
Mas vai ser muita vitória
Que pra ti tem preparada
Não posso te ofertar nada
Tudo de bom tu já tens
Que Deus proteja teus bens
Eu tenho a satisfação
De pegar na tua mão
E dizer meus parabéns.



(Auzim Freire)

Poema ofertado a sobrinha do poeta (Regina) quando esta obteve a aprovação no curso de pós-graduação de Mestrado na Universidade Federal do Ceará em janeiro de 2010.

Depoimento
(Regina Sônia e Clovis Renato) 
Palavras da homenageada sobre o poeta:
"Não posso deixar de compartilhar a forma como me foi feita a homenagem. Ele com a simplicidade de sempre, utilizando a sua famosa blusa azul de botões, cumprimentou todos os presentes, pegou na minha mão e, em seguida, já com um martelo nas mãos, afixou o poema na parede da casa do Tio Zé Holanda e simplesmente foi embora, sem nada comentar...Poucos instantes depois, eu decidi ir olhar o que estava afixado naquela parede e, então....fiquei super emocionada e compartilhei com todos os presentes e inclusive com os que chegaram a leitura da poesia....Foi fantástico. Hoje essa poesia é parte da minha história pessoal de conquista, uma intensa manifestação de carinho a que reputo de grande importância para minha vida. Foi o maior presente que esse meu grande tio pode me ofertar e que guardo com muito carinho na estante do meu quarto, entre os vidros, um quadro de inestimável valor ao qual pretendo conservar por toda minha vida. [...] Meu Tio Auzim sempre foi uma figura exemplar na minha família e, em especial na vida, desde pequenina. Eu tenho recordações brilhantes da atuação desse HOMEM maravilhoso na minha vida. Ele foi responsável juntamente com a minha mãe por criar e educar o meu irmão, Renato, ensinando-lhe valores religiosos, morais e éticos os quais a cada dia são aprimorados no dia a dia por ele vivenciado. Também acolheu meu pai, em sua padaria, em um momento de precisão financeira, dando-lhe emprego. Na órbita pessoal, lembro-me que ele me proporcionou grandes e inesquecíveis passeios como os de Guaraciaba do Norte; o de Canindé, em quase todas as festas religiosas de São Francisco. Fazia inclusive uma grande “penitência” de assistir a missa campal, em pé, e me suspendendo em seus braços e, quando cansado, o pescoço era o descanso, deixava-me suspensa por horas.....; o de Amanaiaras....Obrigada meu tio pelo carinho e atenção....Você é uma pessoa iluminada por Deus a quem detenho muito amor, carinho, respeito e atenção. Desejo que Deus lhe conceda muita saúde, paz e harmonia em sua vida e na dos seus, ou melhor, nossos familiares, dando-lhe força suprema para que sempre supere os obstáculos que o mundo lhe impõe diariamente, e que o Senhor,  com a maestria e sabedoria, continue resolvendo-os com a benção divina. Não esquecer também que ele sempre foi o responsável por reunir a toda a nossa família. (Regina Sônia Costa Farias)
Bicicleta era o transporte

A Rua do Dedo - Amanaiara/CE

Bandinha no interior

 Arte - Escultura em calotas de automóveis
Chico Alves
(um dos sucateiros mais bem sucedidos de Fortaleza)


Nascido na Paraíba
e morando em Fortaleza,
dominou a natureza,
deu uma volta por riba.

Cabra arrojado da figa,
tem  tudo que você pensar,
e se você perguntar
ele é franco em responder:
se compra a quem quer vender
e se vende a quem quer comprar.

Em matéria de sucata
ele foi sempre o espelho
compra qualquer aparelho,
dos mais caros
a mais barata,
compra cobre ouro e prata,
sempre vive bem humorado,
não compra nada fiado,
vive do jeito que gosta,
carrega ferro nas costa
mesmo tendo cem empregado.

Eu vou lhe dar um presente,
músicas feitas de encomenda,
pra quando for pra fazenda
assistir com seus parentes,
sentar na sala da frente,
comendo carneiro assado,
toissim de porco torrado,
recordando a mocidade,
do tempo sem vaidade
que tivemos no passado.

(Auzim Freire)
Os valores e os mitos do sertão repassados para o poeta
Maria Bonita e Lampião
 
Bandeirainhas de São João e o balão

Os caretas

Queima do judas
Fogueira
Festa Junina
Violeiros
 
Casa de Taipa
 
Romances de cordel
Leia:  livros, periódicos, folhetos, teses, folhetos de cordel, recortes de jornais

1. Ministério da Cultura - Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP) - Biblioteca Amadeu Amarau: http://www.cnfcp.gov.br/interna.php?ID_Secao=3
Xilogravura
A MÚSICA (sempre ao lado do poeta)

Os discos preferidos

Um disco me foi pedido,
dos que fiz para o Gerardo,
dos discos velhos que guardo
no meu acervo preferido.
São sempre bem preferido,
nos momentos de saudade
agente fica a vontade
ouvindo lindos bolero,
pois outras músicas
eu não quero,
porque não têm qualidade.

(Auzim Freire)


 

                                                                        
             
    

Dentres outros...



Reriutaba Ceará - CE - Histórico (IBGE)
(Amanaiara é distrito)
Elementos de procedência pernambucana e portuguesa deram início ao povoamento da região habitada pelo índios Reriús, situando uma fazenda de criar, denominada Santa Cruz.
A povoação de Santa Cruz passou a conhecer maior progresso em fins do século XIX, face à construção da estação da Estrada de Ferro de Sobral, em 1º de dezembro de 1893. Data dessa época, a criação do distrito de Santa Cruz.
O município foi criado pela lei estadual nº 2.056, de 11 de novembro de 1922, que elevou a povoação de Santa Cruz à categoria de vila.
Por força do decreto-lei nº 1.114, de 30 de dezembro de 1943, deu município a denominação de Reriutaba.
Origem do Topônimo: Vocábulo é de origem indígena. Lembra os índios Reriús que habitavam a região, de Reriús e taba, aldeia dos Reriús.
Gentílico: reriutabano
Formação Adminstrativa
Elevado à categoria de município com a denominação de Santa Cruz, pela lei nº 2056, de 11-11-1922, subordinado ao município de Santa Quitéria. Sede no núcleo de Santa Cruz.
Pelo decreto estadual nº 193, de 20-05-1931, é extinto o município, sendo seu território voltando a condição de distrito do município de Santa Quitéria.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, Santa Cruz é distrito de Santa Quitéria.
Elevado novamente à categoria de município com a denominação de Santa Cruz, pela lei nº 1540, de 03-05-1935, desmembrado de Santa Quitéria e Ipu. Sede no antigo distrito de Santa Cruz. Constituído de 2 distritos: Santa Cruz, Sinimbu. Desmembrado de Santa Quitéria e Varjota. Desmembrado de Ipu. Em divisões territoriais datadas de 31-12-1936 e 31-12-1937, o município constituído de 3 distritos: Santa Cruz, Sinumbu e Varjota. Pelo decreto estadual nº 1114, de 30-12-1943, o município de Santa Cruz passou a denominar-se Reriutaba e o distrito de Sinumbu denominar-se Amanaiara. Em divisão territorial datada de 1-07-1950, o município é constituído de 3 distritos: Rariutaba, Amanaiara ex-Sinimbu e Varjota. Pela lei estadual nº 1153, de 22-11-1951, o município de Reriutaba passou a denominar-se Santa Cruz do Norte. Em divisão territorial datada de 1-07-1955, o município já denominado Santa Cruz do Norte é constituído de 3 distritos: Santa Cruz do Norte, Amanaiara e Varjota. Pela lei nº 3516, de 28-12-1956, o município de Santa Cruz do Norte volta a denominar-se Reriutaba. Em divisão territorial datada de 1-07-1960, o município já denominado Reriutaba é constituído de 3 distritos: Reriutaba, Amanaiara e Varjota. Pela lei estadual nº 6964, de 19-12-1963, o município de Reriutaba o distrito de Amanaiara. Elevado à categoria de município
Em divisão territorial datada de 31-12-1963, o município é constituído de 2 distritos: Rariutaba e Varjota.
Pela lei estadual nº 8339, de 14-12-1965, o município de Reriutaba adquiriu extinto município de Amanaiara, como simples distrito.
Em divisão territorial datada de 31-12-1968, o município é constituído de 3 distritos: Reriutaba, Amanaiara e Varjota.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-07-1983.
Pela lei estadual nº 11007, de 05-02-1985, desmembra do município de Reriutaba o
distrito de Varjota. Elevado à categoria de município. Em divisão territorial datada de 18-08-1988, o município é constituído de 2 distritos: Reriutaba e Amanaiara. Pela lei municipal nº 499, de 1989, é criado o distrito de Campo Lindo e anexado município de Reriutaba. Em divisão territorial datada de 17-I-1991, o município é constituído de 3 distritos: Reriutaba, Amanaiara e Campo Lindo. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005.
Alteração toponímica muncipal
Santa Cruz para Reriutaba alterado pelo decreto-lei estadual nº 1114, de 30-12-1943. Reriutaba para Santa Cruz do Norte alterado, pela lei estadual nº 1153, de 22-11-1951. Santa Cruz do Norte para Reriutaba alterado, pela lei estadual nº 3516, de 28-12-1956.
Origem Toponímica:
Possui esse nome em alusão aos índios Reriús antigos habitantes da região.


Matérias jornalisticas sobre Auzim Freire:
1) Auzim Freire lança livro sobre a história de Amanaiara: http://juracymendonca.blogspot.com/2012/01/auzim-freire-lanca-livro-sobre-historia.html 

48 comentários:

  1. Me atrevie a ver essa pag.
    e achei maravilhosa pois conta as verdades
    deste ser ilumiado abençoado por DEUS e tbm admirado por mtos!
    p/maneira de ser e de acolher!
    cheguei a me emocionar tbm qndo fla de pessoas como meu pdrinho vicente pinto,sr.albano veras e chico veras ambos (IN MEMORIA)
    Parabens ao poeta sr.auzin parabens editor renato!grd.abraço!!!

    ResponderExcluir
  2. Uma verdadeira riqueza cultural. Amei!
    Naquele tempo o povo já apreciava essas coisas ou povo danado!
    Estou conhecendo um pouco de você,senti saudades.É um lugar muito harmonioso,quem sabe um dia eu conheça. Adorei a casa grande do rio juré.
    Sou Pinto de Santa Quitéria, esse são sua família também?
    Você é sobrinho do poeta, só poderia ,gostei de todos os poemas eu aprecio muito, ainda sou fã do Patativa acredita! No interior as vidas são semelhantes agente se ver um pouco nas circunstãncias.A maria fumaça ainda existe? Lá é um ponto turístico ? Agora que comecei a ver estou gostando,mas bateu uma saudade da minha mãe,lembrei umas coisas...depois eu continuo.

    ResponderExcluir
  3. Adorei o seu blog. Muito bacana!
    As poesias do seu Tio Auzim ganharam vida com as ilustrações. Li tudo e até me emocionei com o depoimento da Regina.
    Tem um pouquinho de tudo que faz parte da sua vida. Gostei mesmo! Parabéns.

    Forte abraço,

    ResponderExcluir
  4. olha consegui ver todo o trageto da vida do poeta, ñtava dando certo no inicio, acho que eu estava com barberagemesmo mas depois tudo deu certo amei , fala com ausim que agora\ ele precisa abrir um orkut pra ele e um msn pra falar com a gente , pois poeta ñ pode ficar sem se comunicar pela net, um beijo meu anjo, diga pra o ausim que amei mesmo assisti toda a quima de fogos novamente,
    Francisca Freire

    ResponderExcluir
  5. ..: A arte nos faz pensar em nossa vida
    de um forma mais leve, divina!

    É um presente de Deus para com seus filhos,
    em permitir que tenhamos Seus dons,
    e, desta forma, sejamos dignos de sermos
    seus artistas preferidos,
    representantes inspirados pelos Céus,
    nesse grande quadro que é o mundo,
    arquitetado primeiramente por Ele,
    para que tenhamos a arte de viver!

    Parabéns por serdes um artista tão inspirado por Deus!

    ResponderExcluir
  6. Ola Tio, vamos ler tudoooooooo. ADORAMOS! Ficou muito bem feito!

    ResponderExcluir
  7. meus parabens...que historia linda.
    amanaiara terra que eu curti muito na minha infancia.....muito lindas estas poesias e histirias.

    ResponderExcluir
  8. Emocionante a história deste homem. Contada em forma de poesia, possui elementos que costuram alegrias, dignidade, fé, esperanças, medos, poucos remorsos, muito comprometimento e amor. Nos faz pensar, refletir sobre a importância do trabalho na construção de uma vida digna. Como um homem simples e sertanejo agrega tanta sensibilidade e faz pulsar a nossa humanidade? Parabéns pelas belas poesias.

    ResponderExcluir
  9. Adorei seu blog, sou uma moradora do distrito de Amanaiara, e queria saber mais como se deua economia q girava em torno da antiga fabrica de descaroçar algodão, cujo o dono era o Chico Pinto.

    ResponderExcluir
  10. Renato, agora bateu uma vontade de ir comprar o pão e puxar um banco para conversar com este poeta. Não imaginava quanto talento e sabedoria tinha por perto bem aqui no bairro. A homenagem para a Regina encheu meus olhos, ficou perfeito e nobre. Obrigada por compartilhar esse talento. Elis.

    ResponderExcluir
  11. Tio,
    Fiquei muito emocionada com as suas poesias.
    O Senhor consegue retratar com rara beleza as coisas simples do interior! O Senhor é realmente um grande poeta! As suas poesias revelam a grandeza da sua alma simples e bela. Obrigada por esse belo presente. Que Deus o conserve por muitos anos, com muita saúde, para que possa continuar nos brindando com a sua poesia.
    Um grande beijo no seu coração.
    Maria da Paz (Paizinha, São Paulo)

    ResponderExcluir
  12. Começei a da uma olhada no seu blog, parabéns pela diversidade de informação. Depois vc apaga o comentario. Meu email é: janairamonte@hotmail.com, depois me adiciona la no msn.
    Boa semana pra vc.
    Bjss Janair@.

    ResponderExcluir
  13. Interior, agente que já foi morador,
    mora em cidade grande com tanto dissabor,

    Cultiva no coração a saudade de voltar
    a terra natal lá está nossa água e nosso sal,

    Não sou o poeta Auzim mas sei um pouquim
    a rima do sertão,

    Ao seu sobrinho Renato que relata todos os fatos,
    Com magestade e beleza so pode ter vindo da realeza do grande sertão.

    Um grande abraço daquela que senti saudades, mas tem esperança e muitas lembranças guardadas no coração.

    ResponderExcluir
  14. Comprei o Livro do Poeta Auzim Freire, recomendo é maravilhoso!
    Está completo relata poesias e prosas tão curriqueiros no cotidiano de cada um de nós que conhecemos tão bem vida de interior. Os belos versos simples e tão verdadeiros enfim, reconheci os dois comentários que postei aqui até muito simples.

    AnônimoApr 18, 2011 11:08 AM

    Uma verdadeira riqueza cultural. Amei!
    Naquele tempo o povo já apreciava essas coisas ou povo danado!
    Estou conhecendo um pouco de você,senti saudades.É um lugar muito harmonioso,quem sabe um dia eu conheça. Adorei a casa grande do rio juré.
    Sou Pinto de Santa Quitéria, esse são sua família também?
    Você é sobrinho do poeta, só poderia ,gostei de todos os poemas eu aprecio muito, ainda sou fã do Patativa acredita! No interior as vidas são semelhantes agente se ver um pouco nas circunstãncias.A maria fumaça ainda existe? Lá é um ponto turístico ? Agora que comecei a ver estou gostando,mas bateu uma saudade da minha mãe,lembrei umas coisas...depois eu continuo.

    AnônimoNov 29, 2011 05:02 PM

    Interior, agente que já foi morador,
    mora em cidade grande com tanto dissabor,
    cultiva no coração a saudade de voltar
    a terra natal lá está nossa água e nosso sal,

    Não sou o poeta Auzim mas sei um pouquim
    a rima do sertão,

    Ao seu sobrinho Renato que relata todos os fatos,
    Com magestade e beleza so pode ter vindo da realeza do grande sertão.

    Um grande abraço daquela que sente saudades, mas tem esperança e muitas lembranças guardadas no coração.


    OBRIGADA!

    De qualquer forma agradeço ao Poeta Auzim
    que dispertou esta proza dentro de mim,

    Ao seu sobrinho Renato de punho forte,
    vindo de Amanaiara do Norte com tanto talento,
    resgatando cultura e despertando a curiosidade de muita gente.





    Breve vou conhecer Amanaiara,
    logicamente o poeta, e o rio juré.

    ResponderExcluir
  15. Olá senhor Auzim Freire, venho-lhe informar na ausência de informações sobre a família Oliveira, também muito querida em Amanaiara, tendo como um dos seus grandes filhos o senhor José Adauto, mais conhecido como ZÉ BIRAU, filho de Gerardo Ribeiro. UM ABRAÇO DE UM CONTERRANEO TEU. ZÉ TOIN. em

    ResponderExcluir
  16. TiAuzim,


    Vou contar-lhe uma história,
    História que presenciei e senti
    O quanto importantes são seus escritos
    Que fazem tanta gente se emocionar e sorrir
    Parabéns grande escritor
    Que conta suas histórias
    Em verso e com louvor
    Que Deus continue a lhe abençoar
    Para mais ricas histórias
    Poder contar.


    (Érica Regina Albuquerque)

    ResponderExcluir
  17. Família Pinto de Santa Quitéria
    em prosas e versos,
    e eu atesto toda descrição
    por que são meus irmaõs, quer que eu queira ou não,
    estou achando muito bonito tudo que ta escrito
    com a rima do leitor,tentando ser pensador,
    isso demonstra muito amor
    ao grande doutor do sertão.


    Um grande abraço ao Poeta Auzim,grata pele página estimula a memória quando a idade vai chegando tem que procurar alguma coisa pra exercita-la se não...todos que já fiz, poemas ou pensamentos é a forma carinhosa de reconhecimento pelo seu trabalho.
    Que Deus lhe abençõe SEMPRE!

    Sou Pinto de Santa Quitéria,mas não conheço.

    Sou Pinto de Santa Quitéria

    ResponderExcluir
  18. sou josé marcelo melo magalhães, parabéns pelo excelente trabalho, ACHO QUE SEU TRABALHO DEVERIA SER DIVULGADO NAS ESCOLAS, UMA MANEIRA DE DIFUSÃO DE CULTURA NOSSA...DE NOSSAS RAÍZES...

    ResponderExcluir
  19. Agradecemos a todos os que têm acompanhado o trabalho do poeta, até então desconhecido, Auzim Freire. Além de termos publicada a primeira obra por demanda no endereço: http://clubedeautores.com.br/book/115139--O_olhar_de_Sinimbu_a_Amanaiara. Estamos negociando com a Prefeitura de Reriutaba a liberação de uma tiragem para ser distribuida nas escolas municipais de Reriutaba, como pode ser acompanhado na entrevista com o Prefeito Osvaldo Lemos, dia 28.01.2012, a qual pode ser acompanhada logo no início da página central do poeta:http://auzim-freire.blogspot.com/p/amanaiara.html. No mais, agradecemos imensamente a participação, especialmente, por instigar o autor a continuar produzindo, lembrando, registrando e criando (olha sempre as páginas, vê os acessos e os comentários, sorri e fica feliz). Observo, contudo, que Auzim Freira ainda não domina os recursos dos computadores, motivo pelo qual não responde diretamente, mas demonstra eterna gratidão a vocês que, como ele, não esquecem as origens e sabem o valor da cultura, dos costumes e das tradições.
    A todos, muitíssimo obrigado!
    Abraços!
    O Editor (Clovis Renato Costa Farias)

    ResponderExcluir
  20. Olá seu Auzim,sou Carlinhos,filho da Betinha,você está de parabéns pelas suas poesias,são maravilhosas,muito bonitas.Gostei muito.São obras de muito valor,quem sabe,serão reconhecidas.Isso sim que é valorizar a nossa terra.Espero encontrar você em março,na festa de São José,para conversar sobre seu trabalho.Trabalho valioso!
    Parabéns,um abraço.
    Carlinhos-RJ

    ResponderExcluir
  21. Sou fã do site reriutabe.com e por ele cheguei ao Blog do seu Auzin, poeta de Amanaiaras, perto de Cabaceiras on de nasci evivi até aos onze anos de idade, quando minha família mudou para o Rio de Janeiro. Hoje saudosa, através da obra do seu Auzin, pude estar um pouco mais perto das minhas origens. palavras, paisagens, imagens, nomes que fazem parte das minhas memórias se materializaram de uma tal forma que ocorreu um "de javu", com o ao ver o nome Vicente Pinto, a voz do meu avô se materializou nos meus ouvidos, falando esse nome, que estava esquecido dentro de mim. parabéns ao Seu Aizin pela sua obra, ao Eudes do reriutaba.com, que proporciona essa rede de memórias afetivas. Seu Auzin gostei tanta da sua página que compartilhei no meu facebook.

    ResponderExcluir
  22. Só me resta agradecer por tão belos poemas...

    "Cresci andando descalço
    porque não tinha chinela,
    com uma calça de saco,
    um cinturão sem fivela,
    bebendo água num coco,
    a nossa vida era aquela".

    Sou filho de Amanaiara,
    Cresci andando descalço,
    hoje eu tenha chinela,
    mas tenho saudades mesmo
    é de quando não tinha elas...

    Sr. um grande abraço.
    Marcos Daries-RJ(filho da Marluce pinto)

    ResponderExcluir
  23. O livro O olhar de Sinimbu a Amanaiara – poesia e prosa resgatando a história, de Auzim Freire, levou-me a refletir sobre os vários aspectos que compõem essa obra literária. O primeiro deles, a questão do olhar, foi motivado pelo título. A forma como o autor enxerga sua terra e sua gente é decisiva na construção do retrato de Amanaiara. Auzim percebe a cidade como um espaço geográfico bonito, avaliado por padrões diferentes daqueles que nós, das grandes metrópoles, estamos acostumados; a beleza que ele traduz baseia-se nos critérios humanos. A cidade é, portanto, um lugar para se tecer a felicidade. Não apenas para dormir ou ser parte das engrenagens do sistema capitalista: “Isso aqui já foi meu berço,/ Isso aqui é meu escudo,/ O tempo passa e eu não mudo,/ Dessa casa não me esqueço,/ Está só o endereço...” (“A visita à casa velha do Rio Juré”).
    Esse jeito de olhar também se reflete na consistência das relações humanas. Não são frágeis, mas fortes e duradouras. Quem no nosso estressante cotidiano se detém a escrever poemas para os amigos da mais tenra idade? “Até hoje desconheço/ Quem procurou seu abrigo,/Que não encontrou um amigo/Sem pensar em interesse” (“Um amigo”)
    Mas, além do teor literário, chamou minha atenção a sonoridade dos versos. Sem a rigidez da métrica, ele consegue movimentar as palavras, como se as sílabas estivessem a bailar: “Hoje é teu aniversário/E nós, com muita alegria,/Comemoramos esse dia/Feliz do teu calendário/Teu espírito é voluntário/Coisas melhores não temos/Pra exaltar o seu brilho...”(“Renato”)
    Ainda é possível visualizar em muitas estrofes rimas ricas, isto é, palavras com classes gramaticais diferentes. Ele é aposentado/Tem um salário decente/Mas é amigo da gente/Não quer viver separado/Sempre vive ladeado/De gente lhe procurando/Às vezes até atrapalhando/Mas ele não se importa/Pra todo mundo abre a porta/E eu tô lá de vez em quando” (“Um amigo”)
    Por último, ressalto o pacto que Auzim Freire parece ter feito com a vida. É tanto amor e gratidão, que a lida do sertão virou poesia. E quando muitos pensam em descansar, ele

    Rejane Nascimento de Sousa
    Revisora Textual

    ResponderExcluir
  24. Parabéns Sr.Auzim pelo sucesso do livro e por todas as realizações
    que devem está acontecendo na sua vida,na vida dos seus.
    Parabéns ao Renato, uma grande revelação como advogado, e vai surpreendendo a todos revelando os talentos que Deus lhe deu,agora também como um jovem empreendedor.
    Renato, você tem brilho próprio, vai muito além disso,isso é só o começo,nem você acredita não é mesmo?

    Apenas alguém que admira muito vocês.
    Um grande abraço!

    ResponderExcluir
  25. Continuação. Comentário da revisora textual Rejane Nascimento de Sousa:
    Por último, ressalto o pacto que Auzim Freire parece ter feito com a vida. É tanto amor e gratidão, que a lida do sertão virou poesia. E quando muitos pensam em descansar, ele reinventa a própria história e se torna escritor. Exemplo gratificante para todos nós.

    ResponderExcluir
  26. Rafaela Ciências Sociais 26 de Março de 2012 13:44
    Oi Renato como você está? Venho acompanhando o que você coloca na sua página no youtu
    be, particularmente sobre o lançamento do livro do Auzim. Apesar de ter nascido em São Paulo, eu gosto muito da vida no interior " Acordar com o canto do galo e dormir com o barulho do grilo, além do reco-reco do armador da rede". Um dos meus sonhos é conhecer o interior do Ceará, acho que ele possui a magia que a cidade perdeu, a relação próxima entre as pessoas.Garanto que no livro essa relação estará bem presente. UM ABRAÇO

    ResponderExcluir
  27. Prezado Sr. Auzim

    Quero parabenizar por esse livro que irá eternizar esses momentos de grande valor de nossa querida terra, dos nossos descendentes, e para contarmos aos que virão, como era naquele tempo...

    Espero que esse seja o primeiro de vários, pois história desse nosso querido povo, tem muita coisa para contar. Pergunte ao meu pai Luís Ribeiro Martins.
    Grande abraço

    Luís L'Aiglon

    ResponderExcluir
  28. Prezado Sr. Auzim:

    Sou bibliotecária do Ministério Público do Trabalho e fui apresentada à sua obra pelo Clóvis Renato, que nos deu o prazer de trabalhar conosco como Assessor do Procurador-Chefe, por 2 ou 3 anos aqui na PRT.
    Quando li o seu livro ofereci-me prontamente para dizer algumas palavras sobre ele no blog. Ao ler seus poemas, pela prática que tenho com a poesia popular - pois trabalhei 9 anos no sertão do Salgado (além de ser filha de sertanejo) e tive o prazer de conviver com poetas da região através de meu trabalho com concursos de poesias etc, encantei-me com seus escritos, Sr. Auzim. Vi imediatamente que o senhor é uma autêntico POETA POPULAR, traz nas veias o sangue da lírica nordestina, transmitida ao longo dos séculos, advinda da Península Ibérica pelos jograis, ou "cantadores medievais", precursores dos versos cantados através de viagens nos feudos europeus da Idade Média. Daí a musicalidade inconfundível dos versos do sr. Daí a beleza e a "tristeza alegre" dos seus versos, que cantam a sua Reriutaba querida. Ao longo da leitura, lembrei-me muito de meu pai, fazendeiro do sertão de Boa Viagem, que passou a vida inteira acordando 4 horas da manhã para tirar leite e cuidar das plantações . Ah, sr. Auzim, como seus versos me fizeram bem. Continue escrevendo. Parabéns pela sua arte, ela nasceu com o sr., escreva enquanto viver. Uma das poesias que mais gostei foi a do Antonio Branco que saiu a cavalo, com um amigo para o Rio de Janeiro. Inesquecível!

    Um grande abraço

    Ana Maria Camelo de Almeida

    ResponderExcluir
  29. MUTO BOM. PARABENS. EU SOU WELINGTON BRAGA - RERIUTABA.

    ResponderExcluir
  30. Angelina: Eu amo livro e quero o novo livro do S. Auzim. Eu já vi o outro livro do Auzim Freire e fiquei encantada. Minha madrinha levou para o Rio para colocar partes em suas peças teatrais. Ela devorou o livro num só dia.

    ResponderExcluir
  31. Alderico Magalhães: Ser amigo de um homem tão culto, como o S Auzim é um orgulho pra mim!

    ResponderExcluir
  32. Tio Auzim e eu agradecemos o apoio e a atenção de sempre. A generosidade de vocês é divina. Obrigado Alderico Magalhães, Prefeito de Reriutaba Dr. Galeno, Antenor Junior Costa e José Antenor da Nordeste Distribuidora, Luiz Gonzaga do Grupo - transportadora e Hotel Iracema Travel. Assim como do Presidente da Câmara dos Vereadores João Veras e o servidor Jose Aroldo Veras pelo empenho e dedicação de sempre. Deus os mantenha compensados. Obrigado, obrigado, muito obrigado. Clovis Renato e Auzim Freire

    ResponderExcluir
  33. Grupo Kelly somos gratos. Dr. Manuel Evander Uchôa pelo seu esforço em manter a cultura local, pela amizade, pela solidariedade. Gratidão eterna. Clovis Renato e Auzim Freire

    ResponderExcluir
  34. Um agradecimento especial ao Prof. Dr. em Literatura pela UFPB Vicente Jr.por ter gentilmente analisado e prefaciado a obra. Eis um dos guerreiros em favor da cultura regional e fantástica. Levaremos seus exemplares para que possa ser trabalhada com seus alunos da Faculdade de Letras da UVA/Sobral. Vicente Júnior, muito obrigado!

    ResponderExcluir
  35. Somos gratos ao Grupo que Coordena as atividades da Igreja de São José, especialmente, na Festa de São José, pela generosidade em permitir que divulguemos o livro no espaço entre a missa do dia 18/03 e o leilão. Alguns livros serão, inclusive, doados para o Leilão de São Jose. Agradecemos especialmente ao amigo-irmão Gerardo Borges!

    ResponderExcluir
  36. Gratidão infinda à Leonia Soares pelo incentivo e divulgação constante em Reriutaba. Saudações!

    ResponderExcluir
  37. José Moacir Pinto: Renato vc é o cara como é vai participar fda festa do nosso querido padroeiro

    ResponderExcluir
  38. Lilian: Meu tio e padrinho é um verdadeiro artista

    ResponderExcluir
  39. Francisco Barreto: Para muitos mais um livro. Contudo quem tem a oportunidade de conhecer a obra, reencontra com o passado não muito distante, onde todos por algum momento já tiveram a oportunidade de reconhecer nos versos situações já vivenciadas. Parabéns Auzim.

    ResponderExcluir
  40. Você foi e é um incentivador maravilhoso. Fez com que histórias emocionantes fossem compartilhadas de uma maneira, espontânea, pura, sentimental, saudosa...ele é especial, coloca sentimento e emoção nas histórias, nos leva a imaginar , vivenciar o momento. Senti com ele o momento em que fala do prazer em descrever o passado, bons momentos, pessoas que marcaram e que hoje é só lembrança, o hoje não pode ser comparado ao passado, mas a lembrança conforta e alegra o coração. Obrigada por compartilhar comigo mensagens valorosas de uma vida, e despertar sentimentos tão bons em mim. ��

    ResponderExcluir
  41. A sua sensibilidade é de familia. É emocionante conhecer a história de vida de uma pessoa simples, humilde...contada com tanta sensibilidade. A associação das fotos com a história causa mais emoção. Pode enviar o video que você fez com o povo, a sensibilidade das pessoas simples, é pura e toca meu coração.

    ResponderExcluir
  42. Parabéns Tio por mais esse livro! O senhor mais uma vez nos brinda com a sua inspirada poesia! O senhor é um poeta nato! Os seus versos simples e belos revelam a grandeza da sua alma! Retratam a vida dura do sertão com fidelidade e beleza singulares. A sua alma sensível consegue enxergar a beleza do sertão, da sua gente e das suas coisas mais simples! Há coisas que somente os olhos de um poeta podem ver, ao homem comum passa desapercebido! Amanaiara, antes um simples distrito do sertão cearense, hoje está imortalizada na sua obra! Parabéns ao povo de Amanaiara por ter entre seus filhos mais ilustres esse grande poeta! Patativa de Amanaiara! Que Deus o abençõe a cada dia e que o senhor viaje cada vez nas asas da poesia! Carinhosamente, Maria da Paz (Paizinha), São Paulo/SP

    ResponderExcluir
  43. Sr. Auzim, muito me honra, conhecer pessoa mais pura em seu jeito de conversar. A sua sabedoria humilde ; a sua coragem aguerrida
    , em sua sensibilidade m
    Digo, em sua sensibilidade matuta. Verdadeiro eco do nosso sofrido nordeste, mostrando para o mundo e quem quiser ver e ouvir, que a razão de amar também é poetizar. Parabens!
    Fatima Duarte.
    Parabéns Clovis Renato, pela oportunidade de acompanhar o poeta Auzim, em sua trajetória de vida e literária, compondo e complementando, em formas, musica e imagens, sua narrativa poética e historica.Fatima Duarte

    ResponderExcluir
  44. Amizade valorizada em poesia❤ muita sensibilidade.Adriana

    ResponderExcluir
  45. Seu alzim um grande poeta! Ivone

    ResponderExcluir
  46. Sim Ivone meu tio grande poeta , vai se eternizar ! Conta nossa história e os personagens somos nós mesmos ! Maria Quintilia

    ResponderExcluir
  47. Ameiii quero muito poder ler o livro e obras deste poeta notável pelo belíssimo trabalho de poder saudosamente relembrar de pessoas e lugares tão queridos nas férias de minha infância quando ia para casa de minha vó Isaura Pinto. Amo demais e guardo com carinho a todos.
    Obrigada por proporcionar isso.

    ResponderExcluir
  48. [8/3 10:43] A:.... realmente dizem q vc parece c seu tio... mas é vdd... ele.novo e o olhar dele .. traços
    . Lembram vc em.demasia... só a espiritualidade p explicar...
    Adorei ele se entitular "pensador disfarçado "... mto relevante tb referir a vc como.filho... achei lindo o reconhecimento que vai além dos laços consanguíneos.
    [8/3 12:46] A: Mto bonito e forte o q Geraldo Amâncio escreveu
    [8/3 12:58] A: A descrição de Vicente Jr. Tb é mto comovente
    [8/3 13:19] A: Lindooo versos que falam de sua vida ... Grande relato
    [8/3 14:23] A: Qdo olhamos p as pessoas n conseguimos mensurar o quão forte são... e por quantos obstáculos passaram p contruir uma vida e criar filhos.... temos a facilidade da vida branda... tudo mais fácil.... antes tantas adversidades.... tantas dificuldades... lembrei do meu avô que tb lutou mto
    [8/3 14:23] A: Chorei emocionada
    [8/3 14:23] A: Mais lindo ainda ele transformar em poesia
    [8/3 14:24] A: Encanta
    [8/3 14:24] A: Fascina
    [8/3 14:29] A: Sou apaixonada pela cultura nordestina e orgulhosa de pessoas que levantam essa bandeira com amor e bravura diante tantas adversidades... levamos o amor e é a bravura em.nossos corações
    [8/3 14:32] A: O mais engraçado é a simplicidade dele diante obra tão grandiosa
    [8/3 14:37] A: Parabéns por valorizar algo tão precioso... e colocar no papel obra tão rica... de vida...amor... experiência... calor humano
    [8/3 14:38] A: Me emocionei bastante.... e nem comecei direito
    [9/3 13:29] A: Encantada com várias
    [9/3 13:30] A: Mas algumas me emocionam mto
    [9/3 13:45] A: Ele recita c AMOR.... emociona.. vc sente vida
    [9/3 13:54] A: Mto massa... tenho verdadeira paixão por essas histórias
    [9/3 15:22] A: Adoreiiii

    ResponderExcluir